DF: após ameaça de facção, secretário reforçará segurança pessoal

Ameaças a Anderson Torres partiram de detento da Papuda ligado ao Comboio do Cão

atualizado 10/01/2020 20:52

JP Rodrigues/Metrópoles

O secretário de Segurança Pública do Distrito Federal, Anderson Torres, foi alvo de ameaças de um membro de facção criminosa que se encontra preso no Complexo Penitenciário da Papuda. O Metrópoles apurou que o detento é integrante do Comboio do Cão.

Segundo fontes ligadas à investigação do caso na Polícia Civil (PCDF) e no Departamento Penitenciário Nacional (Depen), as ameaças foram forjadas para que o detento conseguisse ser transferido ao presídio federal. No local, estão presos integrantes de outra facção criminosa, o Primeiro Comando da Capital (PCC). Entre os detidos da unidade prisional federal, está Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola – líder do PCC.

Torres confirmou ao Metrópoles, nesta sexta-feira (10/01/2020), ter sido informado das ameaças e que, por isso, irá “reforçar a segurança pessoal”. “Eu fiquei sabendo, mas não estou por dentro dos detalhes. Vamos apurar direitinho, saber quem foi que fez isso e responsabilizá-lo”, disse o secretário.

O Comboio do Cão surgiu no Recanto das Emas, mas expandiu a atuação para Santa Maria e Gama. Além de tráfico e homicídios, o grupo é acusado de roubos e rufianismo, que consiste em obter lucro por meio da exploração de prostituição alheia.

O bando age, inclusive, dentro de presídios. Em outubro do ano passado, a facção foi alvo de megaoperação da PCDF que resultou na prisão de 49 integrantes.

Mais autoridades ameaçadas

A ameaça vem à tona na semana em que foi deflagrada a Operação Guardiã 61. A ação policial mostrou que a célula do PCC no DF chegou a ameaçar policiais e juízes. De acordo com a investigação coordenada pela Divisão de Repressão a Facções Criminosas (Difac), informações pessoais das autoridades que combatem a facção foram divulgadas pelos criminosos.

Com a transferência da alta cúpula do PCC para Brasília, a Polícia Civil intensificou as investigações a fim de coibir a instalação de células criminosas na capital.

Inicialmente, os investigadores tiveram acesso a bilhetes com ameaças a uma magistrada do DF. “Essa ameaça comprova a existência da facção no Distrito Federal e, inclusive, a presença dos chamados “gravatas”: advogados responsáveis por transmitir as ordens de dentro para fora dos presídios”, explicitou o delegado-chefe da Difac, Guilherme Sousa Melo.

Com o decorrer das apurações, até mesmo os investigadores entraram na mira dos criminosos. Delegados envolvidos na operação tiveram fotos divulgadas entre os faccionados e receberam ameaças.

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Segundo os investigadores, a célula da organização criminosa tinha ao menos 30 integrantes e atuava praticando crimes como roubos e tráfico de drogas. O grupo, composto por advogados, presidiários e egressos do sistema prisional, se dividia em núcleos específicos de atuação.

Uma parte se dedicava às práticas criminosas e outra tentava estabelecer condições para o desenvolvimento e a consolidação do grupo na capital federal, uma vez que a alta cúpula da facção está presa no Presídio Federal de Brasília, inclusive seu líder máximo.

Ao longo de um ano de investigação, foram identificados integrantes distribuídos estrategicamente em setores de atuação, com o auxílio de advogados, presidiários e egressos do sistema prisional, os quais praticam o tráfico de drogas e armas, roubos e ameaças a autoridades.

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