Toninho do Pó morreu de meningite e pneumonia, afirma PCDF
Traficante era testemunha de processo contra PMs. Ele estava preso na Papuda e morreu após ser levado ao Hospital Regional da Asa Norte
atualizado
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A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) concluiu, nesta quarta-feira (19/02/2020), as investigações que apuravam as causas da morte do detento Antônio César Campanaro, conhecido como Toninho do Pó. Ele foi encontrado morto em uma maca, em outubro do ano passado, no Hospital Regional da Asa Norte (Hran).
Segundo a Coordenação de Repressão a Homicídios e de Proteção à Pessoa (CHPP), Toninho do Pó morreu após contrair meningite e pneumonia. À época, a família do preso disse que ele teria sido envenenado dentro do Complexo Penitenciário da Papuda, onde estava detido.
A suspeita, contudo, foi refutada por laudo cadavérico realizado pelo Instituto de Medicina Legal (IML), que atestou a causa da morte.
De acordo com informações apuradas pelo Metrópoles à época, o preso estava encarcerado no Centro de Detenção Provisória (CDP), onde passou mal, queixando-se de fortes dores no peito e na cabeça. Em seguida, sob escolta, ele deu entrada no Hran.
Doze horas depois, o detento teve seu quadro clínico agravado, apresentando pneumonia broncoaspirativa e choque séptico.
Toninho do Pó era testemunha-chave do processo em que o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) denunciou policiais militares por crimes de tortura, corrupção passiva qualificada, peculato, falsidade ideológica e tráfico de drogas.
Prisão
O criminoso foi preso no dia 10 de outubro de 2018, em Morro de São Paulo (BA), município baiano distante 250 quilômetros de Salvador. Policiais acharam, na ocasião, R$ 76 mil em um fundo falso da Hilux do homem apontado como líder de uma organização criminosa interestadual que atua no tráfico de drogas e roubo de carga.
A ação, batizada de Torre de Babel, foi coordenada pela Divisão de Repressão ao Crime Organizado (Draco)e ocorreu simultaneamente no DF e em seis estados: Goiás, Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso, Bahia e Pernambuco.
De acordo com a polícia, os investigados desviavam cargas da Região Sul para São Paulo, Paraná e DF. Da capital federal, o produto do roubo seguia para o Nordeste.
As mercadorias serviam como moeda de troca para os entorpecentes, comercializados no Distrito Federal e em Goiás. Com o dinheiro obtido por meio da atividade criminosa, a quadrilha adquiria imóveis e carros de luxo.
As investigações, que duraram cerca de nove meses, apontam que Toninho do Pó comandava as ações criminosas da cidade de Cristalina (GO), no Entorno do DF.
A polícia informou que o líder da organização contava com o apoio de dois “gerentes”. Eles eram responsáveis para recrutar motoristas e falsificar notas fiscais dos produtos roubados. Parte da carga era levada para o Paraguai e trocada por contrabando.
Em outra vertente do esquema, Toninho do Pó mantinha negócio “com vigorosa atuação na seara do tráfico de drogas”, conforme informou a PCDF.

Operação contra PMs
A ação contra a quadrilha de Toninho do Pó embasou outra operação da Polícia Civil, dessa vez, contra PMs acusados de uma série de crimes – o traficante era testemunha contra os militares.
Em 26 de novembro de 2018, cinco PMs foram alvo de mandados expedidos pela Justiça. Desses, três acabaram detidos em flagrante, sendo um oficial da corporação.
A ação foi deflagrada pela Coordenação Especial de Combate à Corrupção, ao Crime Organizado, aos Crimes contra a Administração Pública e aos Crimes contra a Ordem Tributária (Cecor). Um dos policiais presos foi flagrado em casa com drogas, como maconha e crack, além de anabolizantes e balança de precisão. Também havia na residência munição de fuzil, revólveres e pistolas sem registro.
Os envolvidos no caso pertencem ao Patrulhamento Tático Móvel (Patamo) e ao Grupo Tático Operacional (Gtop) 22, de Taguatinga. Os PMs presos são acusados de extorsão e abuso de poder contra traficantes que estão na mira da operação. Um dos criminosos da Torre de Babel teria sido mantido em cárcere privado pelos militares.
A Polícia Militar informou que está acompanhando os desdobramentos da operação deflagrada pela PCDF, por meio da Corregedoria. A ação – que recebeu o nome Dolus Malus (fraude, em latim) – tem o apoio da Promotoria de Justiça Militar do DF e do MPDFT.
