Sem ocorrências policiais graves, GDF fala em "carnaval da paz". Festa este ano teve 25,8% menos crimes do que em 2015
Folia levou 893 mil pessoas aos 81 eventos das ruas de Brasília. Registros policiais caíram de 384, no ano passado, para 285

O Governo do Distrito Federal (GDF) apresenta, na tarde desta quarta-feira (10/2), o balanço do carnaval 2016. Segundo o Executivo local, 893 mil foliões passaram pela festa na rua, que reuniu blocos em 81 eventos entre o sábado (6/2) e a terça-feira (9). Os blocos Raparigueiros e Baratona reuniram 320 mil pessoas. Já o Galinho, Baby Doll de Nylon e o tradicional Pacotão, 215 mil nos quatro dias de festa.
Ainda de acordo com o GDF, foram gastos, com os 63 blocos que receberam aporte financeiro, R$ 1,076 milhão neste ano, contra R$ 12 milhões em 2014, quando as escolas de samba receberam recursos públicos — sem dinheiro, as agremiações candangas não desfilaram nem este ano nem em 2015.
A secretária da Segurança Pública e da Paz Social, Márcia de Alencar, comemorou o fato de não ter havido ocorrências graves nos quatro dias de festa. “Foi o carnaval da paz e da segurança”, disse.
De acordo com a Polícia Militar, entre o sábado e a terça, 324 pessoas foram detidas e houve 68 prisões em flagrante. No período, foram apreendidos 38 menores de idade, 18 armas de fogo e 14 facas.
Todas as regiões administrativas cederam efetivo para auxiliar no policiamento nas ruas. Nos locais e nos horários de festa, atuaram 4.022 policiais militares, 464 bombeiros e 492 agentes do Departamento de Trânsito (Detran).
Segundo a secretária, houve redução de 25,8% no número de ocorrências policiais em relação ao mesmo período de 2015: 285 em 2016 contra 384 no ano passado. Deste total, 76% se referem a crimes contra o patrimônio, a maioria de furto de celulares.Além de Márcia, compõem a mesa o secretário de Cultura, Guilherme Reis; o comandante-geral da Polícia Militar, coronel Marco Nunes; o diretor-geral da Polícia Civil, Eric Seba; o comandante-geral dos bombeiros, coronel Hamilton Santos Esteves Júnior; e o diretor do Detran-DF, Jayme Amorim.
Ingestão de álcool e trânsito
Segundo o coronel Hamilton Esteves, os bombeiros fizeram 261 atendimentos, dos quais 14 foliões precisaram ser levados ao hospital. “Os casos mais graves foram em virtude da ingestão de bebidas alcoólicas”, disse o oficial.
O consumo de álcool, aliás, foi o motivo que fez 145 motoristas serem autuados por estarem embriagados ao conduzir veículos. Onze deles precisaram ser conduzidos a uma delegacia.
Ao todo, o Detran autuou 1.680 motoristas e rebocou 301 veículos para o depósito. Além da embriaguez, a falta da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) teve destaque entre as ocorrências. Nas 15 operações realizada pelo departamento, 53 motoristas estavam sem a CNH ou com o documento vencido.
SLU
Uma festa desse porte também produz grande quantidade de resíduos sólidos, especialmente garrafas e latas. Nos quatro dias de festa, garis retiraram 110 toneladas de lixo das ruas pelas quais passaram os blocos carnavalescos.
Pré-carnaval
O único incidente grave foi registrado no dia 30 de janeiro, no pré-carnaval. Duas pessoas foram atingidas por disparos de arma de fogo durante a apresentação do bloco de carnaval Encosta Que Cresce. A folia ocorria em frente à Funarte, próxima à Torre de TV. De acordo com informações do Corpo de Bombeiros, o crime ocorreu por volta das 19h46. Uma das vitimas, Wesley Sandrikis Gonçalves da Silva, de 29 anos, morreu na hora. Wesley cursava educação física e morava em Samambaia.
Segundo o Corpo de Bombeiros, outro jovem, Herbert Max, de 19 anos, foi transportado para o Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF). Ele levou um tiro no braço e outro na nádega. A vítima estava consciente quando deu entrada na unidade hospitalar.
Na tarde desta quarta (10), na coletiva sobre o balanço do carnaval, o diretor-geral da Polícia Civil, Eric Seba, disse que nem a vítima nem o autor eram foliões. “Estavam ali com outro interesse”, afirmou. Em seguida, ele prometeu dar novas informações sobre o crime ainda hoje.


