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No decorrer das investigações que deram origem à operação Mister Hyde, a Polícia Civil descobriu que precisaria cortar na própria carne. Um médico-legista lotado na Policlínica da corporação foi flagrado por suposto envolvimento no esquema da máfia das próteses. Marco de Agassiz Almeida Vasques, de 44 anos, foi preso em casa, no Guará. Outras 12 pessoas foram presas, sendo sete médicos e dois empresários nesta quinta-feira (1º/9).

De acordo com a apuração feita por investigadores da Divisão Especial de Repressão ao Crime Organizado (Deco), Vasques mantinha uma relação muito próxima com o dono da empresa TM Medical, John Wesley Gonçalves, apontado pela polícia como um dos líderes da organização criminosa que lesou, somente este ano, 60 pacientes.

Vasques e Gonçalves também são investigados por tentar matar uma paciente que ameaçava denunciar o esquema. A vítima teve um fio-guia colocado na jugular, o que poderia ser fatal.

Nos últimos messes, essa paciente foi submetida a sete procedimentos cirúrgicos na coluna. Na terceira operação, foi instalado o equipamento, sem conhecimento da mulher, segundo a Polícia Civil. Devido a essa situação, a vítima sofreu complicações de saúde.

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Raio X mostra fio implantado perto de jugular de paciente

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No destaque da imagem, equipamento implantado sem o conhecimento da vítima

Cirurgias sabotadas
O esquema movimentou milhões de reais em cirurgias, equipamentos e propinas. Segundo a Polícia Civil, o grupo tentou matar um paciente que ameaçava denunciar a quadrilha, deixando um arame de 50cm na jugular dele. Além disso, há casos de cirurgias sabotadas para que o paciente ficasse sendo operado e, assim, gerasse lucro para o esquema, utilização de produtos vencidos e troca de próteses mais caras por outras baratas.

Reprodução/PCDF

 

Especializado em cirurgia ortopédica, Wesley resolveu abandonar a medicina e se tornar empresário do ramo de próteses. Quem assumiu o consultório e a lista de pacientes dele, segundo os investigadores, foi Vasques, em razão da amizade entre os dois.

A aproximação fez com que o médico-legista da Polícia Civil mergulhasse no esquema e começasse a utilizar Órteses, Próteses e Materiais Especiais (OPMEs) da TM Medical em suas cirurgias.

Em seguida, Vasques teria começado a receber entre 20% e 30% de propina sobre o valor de cada cirurgia realizada usando os materiais da empresa. O médico-legista já havia sido afastado de suas funções da Policlínica na quarta-feira (31/8) e se tornou alvo de apuração na Corregedoria-Geral da Polícia Civil. A informação é que ele deverá ser expulso dos quadros da corporação.

 

 

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