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A família da menina de 11 anos que foi estuprada por quatro adolescentes e um adulto deixou a casa onde mora, no Recanto das Emas, e vizinhos não sabem onde eles estão. Na noite desta sexta-feira (13/1), o Metrópoles esteve na quadra onde ocorreu o crime. O local de casas humildes e pouco iluminadas tinha pouco movimento. As pessoas ouvidas pela reportagem desconheciam a tragédia ocorrida na última terça-feira (10). Mas parentes de Wesley da Silva Dias, 20 anos, preso por violentar a criança, estão surpresos. “Ele não é uma pessoa má”, disse uma irmã dele.

Segundo a moça, que pediu para não ter o nome divulgado, o irmão nunca tinha tido problemas com a Justiça. “Ele sempre foi muito do bem” afirmou. De acordo com a mulher, Wesley cursa o ensino médio, era frequentador assíduo da igreja e não costumava causar preocupação para a mãe. No entanto, a irmã afirma que, nos últimos tempos, o rapaz estava acompanhado por “más influências”. “Minha mãe já tinha falado para ele se afastar dessas pessoas, mas ele não ouviu”, contou.

Os amigos aos quais ela se refere são os mesmos que agora, ao lado de Wesley, são acusados de estuprar a menina de 11 anos e ainda filmar a ação. De acordo com a irmã, desde que começou a andar com as novas companhias, há poucos meses, o jovem se afastou da igreja.

A irmã de Wesley alega que, no dia do estupro, a vítima foi pela primeira vez à casa onde ele mora, junto com um dos suspeitos do crime, de 17 anos, que teria um relacionamento com a criança. De acordo com a mulher, por volta das 10h, os dois foram pedir emprestado um som de Wesley, e o jovem teria acompanhado a dupla até a casa onde ocorreu o estupro.

Daniel Ferreira/Metrópoles

Casa onde mora Wesley, no Recanto das Emas

 

Vídeo no celular
Quando o trio chegou ao local, estavam outros adolescentes, de 13, 15 e 17 anos. Segundo a Polícia Civil, a menina teria sido obrigada a ter relações sexuais com o namorado, com Wesley, e um terceiro rapaz enquanto outros dois jovens assistiam à ação.

O estupro foi filmado e o celular que contém a gravação, apreendido pelos investigadores. A polícia foi acionada pela mãe da garota que, em depoimento, afirmou que saiu em busca da filha porque a menina não tinha chegado em casa no horário habitual.

Aos investigadores da 27ª DP (Recanto das Emas), a mulher alegou que encontrou a jovem na rua, desnorteada. A menina então teria contado à mãe que havia sido vítima de estupro. Após o registro da ocorrência, a garota foi encaminhada ao Instituto Médico Legal (IML), onde um exame comprovou os abusos descritos no depoimento. Depois, ela foi medicada e recebe acompanhamento psicológico.

Prisão em flagrante
Wesley foi preso em flagrante e os menores, apreendidos e encaminhados à Delegacia da Criança e do Adolescente II, em Taguatinga. A família de Wesley ainda não teve a oportunidade de conversar com o jovem desde que ele foi detido. Atualmente, ele está preso preventivamente no Centro de Detenção Provisória do Complexo Penitenciário da Papuda. A família aguarda o resultado de um exame que comprove a participação dele no caso.

No entanto, apesar de a presença de Wesley no local ser indiscutível, a família acredita que ele não tenha tido relações sexuais com a vítima. “Vi as reportagens e fiquei revoltada. Meu irmão é muito ingênuo, mas tem a cabeça boa. Não acredito que faria alguma coisa assim”, finaliza a irmã.

Daniel Ferreira/Metrópoles

A 27ª DP investiga o caso: abuso brutal

 

 

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