DF pode perder metade das viaturas por falta de manutenção, diz Sinpol

Sindicato dos Policiais Civis acusa gestão atual de “sucateamento”. Contrato com a empresa responsável pelos reparos terminou na quinta (19)

Michael Melo/MetrópolesMichael Melo/Metrópoles

atualizado 24/07/2018 18:42

Dezenas de viaturas da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) esperam, desde quinta-feira (19/7), por manutenção na Divisão de Transporte (Ditran), sem previsão de voltarem a rodar pelo território. De acordo com o Sindicato dos Policiais Civis (Sinpol), a paralisação é resultado do vencimento do contrato com a empresa responsável pelos reparos.

Com a redução da frota, os policiais temem que metade das viaturas fique parada. Segundo o presidente do sindicato, Rodrigo Franco, a corporação está sendo “sucateada” pela atual gestão do Governo do Distrito Federal (GDF).

Para o sindicalista, a falta de veículos nas ruas tem refletido no sentimento de insegurança que aflige a população. 

A falta de gestão e comando da direção da PCDF, conivente com o atual governo, também gera graves reflexos à sociedade, tais como a não contratação de serviços de manutenção, a falta de contratação de novos policiais e todo o sucateamento pelo qual vem passando a Polícia Civil da capital

Rodrigo Franco, presidente do Sinpol-DF

Segundo o dirigente do sindicato, mais de 1.300 viaturas, em torno de 40% da frota atual, rodam há mais de 10 anos e precisam passar por vistorias constantemente para possíveis reparos. Antes, 18 mecânicos ficavam à disposição dos agentes todos os dias.

Mais viaturas
Em 2017, o GDF chegou a comprar 145 novas viaturas. Os veículos, modelo Corolla XEI, custaram aos cofres públicos, cada um, cerca de R$ 100,3 mil – um total de quase R$ 15 milhões. Na época, a direção da Polícia Civil solicitou a aquisição de 100 veículos de modelos populares. Do total, foram autorizados apenas 50.

Outro lado
Em nota encaminhada ao Metrópoles após a publicação desta reportagem, o Departamento de Administração Geral (DAG), da Polícia Civil do Distrito Federal, informou que o problema ocorre por falta de mecânicos. Dezoito profissionais que ganhavam acima do piso da categoria, e cujos salários foram reduzidos semana passada, pediram demissão. Apenas cinco cumprem aviso prévio.

“Tal situação repercutiu no trabalho ordinário da Divisão de Transportes (DITRAN). Mas a empresa contratada já está fazendo uma nova seleção de mecânicos e a expectativa é de que até o final desta semana novas contratações sejam realizadas para restabelecer integralmente os serviços”, diz trecho da nota.

Confira a íntegra do posicionamento da DAG-PCDF: 

“Em razão da nova contratação de mão de obra terceirizada, celebrada com a empresa ADSERV, na semana passada, ocorreu redução do salário dos mecânicos que ganhavam acima do teto aprovado na Convenção Coletiva de Trabalho da categoria, nos moldes da licitação anterior, ocorrida em 2012. Essa medida só foi adotada em absoluta obediência aos regramentos hoje estabelecidos pela IN 05/2017, recepcionada pelo Distrito Federal por meio do Decreto nº 38.934/18.

Diante disso, os mecânicos antigos, no total de 18, que no contrato anterior ganhavam acima do piso, pediram demissão, sendo que apenas cinco estão cumprindo aviso prévio.

Tal situação repercutiu no trabalho ordinário da Divisão de Transportes (DITRAN). Mas a empresa contratada já está fazendo uma nova seleção de mecânicos e a expectativa é de que até o final desta semana novas contratações sejam realizadas para restabelecer integralmente os serviços.”

 

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