Após exoneração, ex-comandante da PMDF pede para ingressar na reserva

Pedido foi formalizado pela coronel Sheyla Sampaio na terça (06/08/2019), mesmo dia em que o governador a tirou da chefia da Polícia Militar

Vinicius Santa Rosa/MetrópolesVinicius Santa Rosa/Metrópoles

atualizado 07/08/2019 16:09

Após ser exonerada do comando da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF), a coronel Sheyla Sampaio pediu ao Departamento de Gestão Pessoal (DGP) da força de segurança para integrar a reserva remunerada da corporação. A solicitação ocorreu nessa terça-feira (06/08/2019), logo após a oficial ser informada do afastamento.

De acordo com o Estatuto dos Policiais Militares do DF, é facultado ao coronel exonerado ou demitido do cargo de comandante-geral requerer transferência para a reserva remunerada quando não contar 30 anos de serviço.

Segundo o secretário de Segurança Pública, Anderson Torres, disse ao Metrópoles, a exoneração da policial e do chefe da Casa Militar, coronel Marcus Paulo Koboldt, ocorreu após “desalinhamento” entre os comandantes.

“Da minha parte, agradeço a coronel Sheyla. Mas houve um desalinho. Por exemplo, temos a questão do Hospital da Segurança. Essa é uma ideia do governador. O que se gasta hoje com a saúde das Forças é, aproximadamente, metade do orçamento do Hospital de Base. E a gente percebia certa resistência. Se cada um puxar a corda para um lado, não vamos a lugar nenhum”, pontuou Torres.

A criação de uma unidade de saúde específica para atender os servidores da SSP-DF avança dentro do governo. O projeto prevê que o Hospital da Segurança Pública assista, em tempo integral, exclusivamente a integrantes da PMDF, da Polícia Civil (PCDF) e do Corpo de Bombeiros Militar (CBMDF), no espaço onde hoje funciona a Policlínica da Polícia Militar. Sheyla e Koboldt apresentavam resistência a ampliar o atendimento a outras corporações que não a PM.

A nova unidade, localizada no Setor Policial Sul, deve incluir atendimento ambulatorial, cirúrgico, de urgência, emergência e unidade de tratamento intensivo (UTI). A previsão é de que o hospital tenha 100 leitos de internação e capacidade para receber até 300 pacientes por dia, com mais de 17 especialidades médicas diferentes. Atualmente, a Policlínica é alvo de reclamações por parte de policiais militares pelos problemas de assistência.

A exoneração de Sheyla foi publicada em edição extra do Diário Oficial do DF na tarde de terça-feira.

Veja:

DODF/Reprodução

Perfil

Sheyla Sampaio foi a primeira mulher a comandar a PMDF. A coronel integra os quadros da instituição há 27 anos e tem MBA em planejamento, orçamento e gestão pública pela Fundação Getulio Vargas (FGV). Ela foi a primeira colocada no curso de formação de oficiais da corporação, feito em 1994 e, depois disso, ocupou diversas posições de destaque na tropa.

De 2013 a 2016, conduziu o 1º Batalhão da Polícia Militar. Depois, foi subeditora de recrutamento e seleção da instituição e diretora da Diretoria de Promoções, Avaliação e Desempenho. Sheyla chefiou o Comando do Policiamento Regional Sul II.

Experiente, dirigiu importantes operações no Distrito Federal, como os carnavais de 2014, 2015 e 2016; o Réveillon de 2013 para 2014; a Copa do Mundo de 2014; as Olimpíadas de 2016; e o primeiro turno das Eleições 2018. A oficial, que chefiava o Comando de Policiamento Regional Sul (CPRS), foi indicação de Ibaneis.

Koboldt assumiu a Casa Militar em abril deste ano. Antes, chefiou o Comando de Policiamento Regional Sul (CPRS). Também foi indicação de Ibaneis e assumiu o lugar do coronel Julio César Lima. O governador disse, na ocasião, que a troca foi “por uma questão de ajustes pontuais”.

Antes da exoneração, o chefe do Executivo local já havia rebaixado o status do titular da pasta, ao subordinar o órgão – até então ligado ao gabinete do governador – à Secretaria de Segurança Pública (SSP).

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