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Um agente socioeducativo do Distrito Federal foi vítima de ato de violência nesta quarta-feira (7/2): um homem quebrou, com o cabo de uma arma, o vidro do carro em que ele estava, por volta das 11h30, em Taguatinga. Ao Metrópoles, ele disse acreditar se tratar de um atentado, pois o criminoso xingava com “muita raiva”.

“Ele gritava: ‘É tu, desgraça’. Eu creio se tratar de um interno que possa ter me reconhecido”, conta o homem, após pedido para não ser identificado. Depois de o carro ser acertado, ele afirma ter saído do local depressa, dirigido inclusive pela contramão para fugir do algoz. Pelo retrovisor, viu um rapaz com um revólver na mão. 

Segundo o agente, que está na profissão há nove anos, as ameaças de morte são constantes no dia a dia do sistema socioeducativo, mas a abordagem na rua, em plena luz do dia, o assustou. “Tenho ao menos quatro ocorrências registradas na Polícia Civil. Os internos falam que, quando encontrarem a gente na rua, vão nos matar, mas isso é rotina. Nunca passei por algo parecido com o que ocorreu hoje”, desabafa.

De acordo com o profissional, o caso foi relatado à 12ª Delegacia de Polícia (Taguatinga Centro). Os estilhaços do vidro acertaram o braço do homem, causando um corte. “Mas o importante é estar vivo”, ressalta.  

Arquivo pessoal

Estilhaços do vidro cortaram o braço da vítima

 

Ameaças
Em dezembro do ano passado, uma carta assustou agentes da Unidade de Internação de São Sebastião (Uiss). O texto tecia um suposto plano de fuga e até assassinatos. À época, o Sindicato dos Servidores da Carreira Socioeducativa do Distrito Federal (Sindsse-DF) confirmou a veracidade do manuscrito, encontrado durante revista de rotina. A entidade acreditava que ele seria enviado para comparsas, por meio de um parente do interno, na hora da visita.

As ameaças não são raras. E os ataques acontecem. Em 29 de novembro, por exemplo, um agente foi atingido na testa por um pedaço de ferro, na Unidade de Internação do Recanto das Emas (Unire). Outros dois foram agredidos: o dedo de um deles foi quebrado e o joelho de outro, machucado. Eles interceptaram um interno que tentou fugir.

O vice-presidente do Conselho Nacional de Entidades Representativas dos Profissionais do Socioeducativo (Conasse), Cristiano Torres, critica a proibição de porte de arma aos agentes. “O Conasse está na luta, buscando esse direito. Só no último ano, tivemos duas mortes de agente socioeducativo e diversos atentados no país”, sustenta.

 

 

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