Secretário de Saúde diz que 20% dos vacinados no DF são de outras UFs

Apesar disso, Okumoto garantiu que em momento algum o GDF cogita restringir o acesso da população de outras unidades da Federação

atualizado 25/02/2021 19:32

Gustavo Moreno/Especial para o Metrópoles

A pressão que pacientes vindos de outras unidades da Federação (UF) causam na rede pública de saúde do Distrito Federal não se limita às internações. Após reunião com prefeitos da Região Metropolitana de Brasília em busca de um alinhamento na guerra contra a Covid-19, nesta quinta-feira (25/2), o secretário de Saúde Osnei Okumoto revelou que 20% das pessoas vacinadas no DF vieram de outras UFs.

“O levantamento foi feito pela Diretoria de Epidemiologia da secretaria. Observando o cartão SUS, nós chegamos a ter cerca de 20% de pessoas vindas de fora para se vacinarem aqui. Desse total, 15% são de Goiás”, revelou.

Segundo Okumoto, em momento algum o GDF cogita restringir o acesso da população de outras UFs à rede de Brasília, inclusive no caso da vacinação contra o coronavírus.

“Muitas pessoas que têm parentes aqui no DF vieram de seus estados para serem vacinados”, concluiu. A cobertura vacinal para idosos contemplados no DF chegou ao percentual de 120%, segundo cálculos da pasta da Saúde.

No caso dos leitos de UTI, a secretaria ainda estima o uso de 20% a 25% acima das projeções destinadas especificamente para a população do DF.

Variantes

No mesmo encontro, o governador Ibaneis Rocha (MDB) alertou que caso as novas variantes mais agressivas e contagiosas do coronavírus passem a ter transmissão comunitária no Distrito Federal, não descarta decretar lockdown em Brasília.

“Essas novas variantes estão se disseminando pelo país. A gente já sabe que elas existem e são bem mais graves. A gente tem conversado com os técnicos da Secretaria de Saúde e, eles, por sua vez, com o pessoal do ministério [da Saúde]”, comentou Ibaneis.

“Se elas realmente vierem a se transformar em uma transmissão comunitária, aí nós vamos ter que chegar novamente a um ponto de fechamento, de lockdown. Porque a gente sabe que o agravamento vai ser muito grande, e o número de vacinas que têm chegado ainda é muito pequeno”, complementou.

BRB

Durante o encontro, o chefe do Executivo local anunciou a criação de um convênio de pactuação com os municípios para ampliar o atendimento a pacientes com Covid-19 residentes nos municípios situados ao redor da capital do país.

“Será submetido ao Conselho Bipartite. Dessa forma, teremos condições de ampliar o atendimento”, disse.

Caso a medida seja aprovada, pode ocorrer a transferência de leitos e recursos das cidades do Entorno para Brasília. Dessa forma, como explicou Ibaneis, “o recurso acompanha o paciente”.

Além disso, o chefe do Executivo local ressaltou aos presentes que autorizará o BRB a abrir linhas de crédito para os pequenos negócios e, desta vez, incluir aqueles instalados no Entorno.

“Serão juros reduzidos e isso pode ajudar muito os nossos comerciantes que sofrem com a pandemia”, declarou o emedebista.

Durante a conversa, prefeitos disseram que o objetivo também era apaziguar os ânimos e construir uma solução unificada para a crise sanitária provocada pela pandemia de Covid-19.

Pouco antes do encontro, o prefeito de Valparaíso (GO), Pábio Mossóro (MDB), presidente da Associação dos Municípios do Entorno de Brasília (Amab), comentou o debate envolvendo o tratamento de pacientes do Entorno na capital do país. “Não podemos ficar neste fogo cruzado”, disse ele, referindo-se ao embate entre Ibaneis e o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM).

Divisas

Como Ibaneis disse à coluna Grande Angular, Caiado estaria “negligenciando seus pacientes”, uma vez que 25% das internações em unidades de terapia intensiva (UTIs) do DF são de pacientes do Entorno, especialmente provenientes de cidades goianas. Uma hora depois, Caiado respondeu que a declaração do emedebista era “estapafúrdia”.

Do ponto de vista do prefeito de Santo Antônio do Descoberto, Aleandro Salgado (DEM), a solução depende do bom senso de todas as partes envolvidas.

Nesse sentido, os prefeitos também estão em tratativas com a Secretaria de Saúde de Goiás. “Não adianta a gente decretar lockdown na região metropolitana, se os nossos moradores vêm diariamente para o DF”, explicou.

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