Sem médicos, pais se revoltam com falta de atendimento no Hmib

Algumas famílias chegaram no meio da tarde e, até o início da madrugada desta sexta (1°/3), ainda não haviam sido atendidas

Daniel Ferreira/MetrópolesDaniel Ferreira/Metrópoles

atualizado 01/03/2019 10:10

Pais e mães de crianças se revoltaram com a demora do atendimento no Hospital Materno Infantil de Brasília (Hmib), onde apenas dois médicos estavam escalados na tarde e na noite dessa quinta-feira (28/2). Muitos desistiram do atendimento e voltaram com os pequenos para casa. Outros chegaram a esperar por sete horas, sem alimentar os filhos e sem a certeza de que conseguiriam a consulta com o pediatra. O problema persistia até o início da madrugada desta sexta (1°/3).

Na entrada, um aviso (foto em destaque) advertia que, devido à superlotação no pronto-socorro da pediatria, o atendimento na quinta (27) seria apenas para pacientes gravíssimos – situação que se repetiu na quinta (28).

Durante a chuva forte da tarde, cerca de 70 pessoas, entre adultos e crianças, se espremeram embaixo de uma tenda montada na área externa do hospital. “Como ventava bastante, muita gente se molhou. Isso é um perigo para essas crianças que já estão doentes”, disse um acompanhante, que não quis se identificar.

Mãe dos gêmeos Murilo e Diogo, a professora Karine Alencar, 25 anos, saiu de Brazlândia no meio da tarde e chegou ao Hmib por volta das 16h45. Até as 23h, os meninos haviam passado apenas pela triagem. As duas crianças apresentavam os mesmos sintomas: febre e dores na garganta e pelo corpo.

“É um pouco caso que eu nunca vi igual. Até para me emprestarem um termômetro para ver se o meu filho ainda estava com febre foi uma luta. A gente veio para o retorno, estamos aqui com os exames de sangue e radiografias, mas ninguém sabe de nada, ninguém diz nada. Eles estão aqui com fome, porque a gente nem pode sair para comer, porque vai que chama”, desabafa Karine.

O garçom Cícero Nunes, 31, saiu do Riacho Fundo II por volta das 16h com a filha de 2 anos reclamando de dores, com febre, sem apetite e com problemas de sono. Pelo menos de meia em meia hora, ele pedia informações aos funcionários da unidade e se revoltava com a demora. “Não é de graça não, a gente paga imposto e é tratado desse jeito”, reclamou.

No fim da noite, um médico se exaltou com a mãe de uma criança. Do consultório, era possível ouvi-lo gritando e exigindo respeito. O teor da discussão, no entanto, não foi revelado.

O outro lado
Metrópoles pediu esclarecimentos à Secretaria de Saúde sobre a falta de médicos no Hmib. Como a solicitação foi enviada já no início da madrugada desta sexta (1°), a pasta não havia se manifestado até a publicação desta reportagem.

Pela manhã, a pasta informou, por meio de nota, que dois médicos estavam de plantão na emergência na noite e madrugada de quinta para sexta. “A demanda aumenta consideravelmente nesta época do ano, devido à sazonalidade de doenças respiratórias entre as crianças, muitas com perfil mais grave, apresentando desconforto respiratório, com necessidade de oxigênio e medicação a ser feita de hora em hora, o que requer assistência das equipes de enfermagem”, destacou.

Segundo a direção do Hmib, são recebidas pelo menos 10 crianças na emergência neste época do ano. “Dependendo da gravidade do caso, o tempo de atendimento pelo médico pode variar entre 15 minutos e uma hora. No total, 82 pacientes foram atendidos das 19h de quinta até as 7h desta sexta-feira”, ressaltou a pasta.

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