“Pensei que não pegaríamos elas de novo”, diz mãe de gêmeas siamesas

Mel e Lis tiveram alta nesta segunda-feira (03/06/2019), após 36 dias internadas por causa da cirurgia de separação total

atualizado 03/06/2019 12:41

A equipe médica do Hospital da Criança de Brasília (HCB) concede, nesta segunda-feira (03/06/2019), entrevista coletiva para passar detalhes sobre a alta médica da gêmeas siameasas Lis e Mel. Elas voltaram para casa, após 36 dias internadas por causa de uma cirurgia de separação total feita no centro de saúde, em um procedimento inédito na capital do país.

Participam da entrevista, Renilson Rehem, superintendente-executivo do Hospital da Criança; Renata Rainha, secretária adjunta da Secretaria de Saúde; dr. Benício Oton, neurocirurgião do Hospital da Criança; Selma Kawabata, coordenadora da UTI do Hospital da Criança; dr. Luciano Fares, anestesiologista do Hospital da Criança; e dr. Adilson Silva, cirurgião plástico da ala de queimados do Hran.

Doutor Adilson explica que, durante a fase de preparação para a cirurgia, outro médico da equipe comprou bonecas para tentar reproduzir a dificuldade da operação. “Ele fez suturas nas bonecas para termos uma ideia. A grande preocupação era proteger o orifício de encaixe que unia as irmãs. Era necessária uma cobertura para o cérebro das meninas”, detalhou.

Em seguida, dr. Benício deu seis meses de previsão para a recuperação dos ossos. Segundo dr. Adilson, a cicatrização dos cortes deve levar o mesmo tempo. “Depois disso, nos preocupamos com a reparação estética”, pontuou.

Rafaela Felliciano/Metrópoles
Médicos durante coletiva sobre alta de Mel e Lis, gêmeas siamesas operadas no Hospital da Criança de Brasília

 

Medo

A mãe das meninas, Camilla Vieira Neves, também falou na entrevista. Ela disse que temeu pela vida das filhas no momento da cirurgia. “Meu maior medo foi quando as entregamos para a operação. Pensei que não pegaríamos elas de novo”, desabafou.

Camilla mostrou ter consciência de que a luta das meninas ainda não acabou. “Tem fisioterapia e todo o acompanhamento”, apontou. Mesmo assim, a mãe segue otimista. “A gente está muito feliz. Elas acordaram muito bem, ganhamos vários sorrisinhos e elas sentiram que iriam para casa.”

De acordo com dr. Benício, os pais de Mel e Lis, Rodrigo Martins Aragão e Camilla Vieira Neves, terão de ter atenção aos curativos. O médico espera, contudo, que não haja sequelas psíquicas nem neurológicas nas meninas.

Internação

Elas passaram 36 dias internadas após uma delicada cirurgia de separação total feita no Hospital da Criança de Brasília (HCB). A evolução no quadro clínico das pequenas impressionou a equipe médica da unidade de saúde e foi motivo de comemoração. A intervenção, inédita na capital do país, mobilizou dezenas de profissionais.

Embora ainda necessitem de cuidados pós-operatório, os médicos dizem que tais procedimentos podem ser feitos na residência das meninas, em Ceilândia. A história das meninas ligadas pelo crânio comoveu o país. Em recuperação no HCB, as crianças fizeram aniversário de 1 ano no leito e ganharam festinha com bolo, balões e decoração.

Relembre o caso

Mel e Lis eram unidas pelo lado direito da cabeça e, para que fossem separadas, foi necessária uma operação de alta complexidade que durou cerca de 20 horas, no centro cirúrgico do Hospital da Criança de Brasília.

Depois do procedimento de separação, chefiado pelo neurocirurgião Benício Oton de Lima, as gêmeas foram mantidas em coma induzido para que recobrassem os sentidos naturalmente. “É parte do protocolo, para que elas se recuperem da intervenção cirúrgica em segurança”, esclareceu o médico durante entrevista coletiva para detalhar como foi a separação das meninas.

O momento em que a mãe viu as filhas separadas – Mel saiu primeiro do centro cirúrgico – foi de grande emoção. “Olhei minha filha e ela estava perfeita. Igual a uma boneca”, afirma Camilla. Lis foi a primeira a despertar depois da anestesia. No fim da tarde daquela segunda-feira (29/04/2019), ela já não estava mais entubada.

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