“Não adianta só inaugurar parede”, diz servidor a Rollemberg. Vídeo

Funcionário abordou o governador durante inauguração da Central de Quimioterapia do Hospital Regional de Taguatinga (HRT)

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atualizado 20/04/2018 17:48

O governador Rodrigo Rollemberg (PSB) passou por uma saia-justa durante inauguração da Central de Quimioterapia do Hospital Regional de Taguatinga (HRT), nesta sexta-feira (20/4). Um servidor da unidade cobrou o conserto de equipamentos e convidou o chefe do Executivo a visitar o pronto-socorro durante a cerimônia.

“E os tomógrafos da rede também vão ser consertados, governador? Ou vai ser só a parede? Não adianta só inaugurar parede”, questionou. Diante do silêncio e do olhar constrangido de Rollemberg, ele continuou. “Vamos lá no pronto-socorro, ver como que os pacientes estão morrendo lá. Isso é palhaçada. Tem gente morrendo lá no chão. Isso é sacanagem. Estou falando como servidor e usuário”, disse.

O governador apenas acenou com a cabeça e apontou para o secretário de Saúde, Humberto Fonseca, que estava ao seu lado. Depois, seguiu com a comitiva para visitar o espaço. O investimento para a reforma da central foi de R$ 1,19 milhão, sendo R$ 700 mil oriundos da Universidade Católica de Brasília, que usa o hospital para ensino e pesquisa.

Confira:

O espaço inaugurado é composto por cinco salas interligadas. No local, serão preparadas soluções quimioterápicas conforme a prescrição indicada para cada paciente. De acordo com o Governo do Distrito Federal, tais medicações vão auxiliar os tratamentos em setores de oncologia, hematologia, Aids, doenças autoimunes e reumatologia.

Ao Metrópoles, a Secretaria de Saúde informou que possui contrato de manutenção dos equipamentos. Mas, dos 12 mamógrafos, apenas um está em conserto. Já dos 11 tomógrafos, três passam por reparos. A pasta disse ainda que está em fase final a aquisição de cinco tomógrafos.

A informação, no entanto, foi contestada pelo servidor que aparece no vídeo. “Nosso mamógrafo e o tomógrafo estão quebrados. Estamos tentando vagas em outros hospitais, mas só conseguimos algumas. Na prática, temos que escolher quem vai viver e quem vai morrer”, desabafou.

O servidor pediu para não ter o nome divulgado. “Já fui chamado pela direção do hospital e fui informado que teria de resolver as coisas com a Corregedoria. Mas eu não fiz nada que fira a minha conduta profissional. Não cobrei aumento, nem o pagamento de horas extras. Só não me calei diante do absurdo que é inaugurar uma sala de medicamentos, com equipamentos quebrados e sem dar atendimento digno à população”, disse.

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