Ibaneis decide exonerar diretor do Hran e chefe da regional de Saúde

Decisão ocorreu por denúncias de que havia boicote por parte de servidores do hospital, pois, mesmo com leitos, pacientes ficavam sem ajuda

Daniel Ferreira/MetrópolesDaniel Ferreira/Metrópoles

atualizado 20/03/2019 13:54

O diretor do Hospital Regional na Asa Norte (Hran), Gustavo Bernardes, e o superintendente da Regional de Saúde Central, Adriano Ibiapina, serão exonerados de seus cargos. A determinação é do governador Ibaneis Rocha (MDB).

De acordo com o Palácio do Buriti, a decisão, tomada nessa terça-feira (19/3), foi motivada por denúncias de que haveria um boicote por parte de servidores do hospital, pois, mesmo tendo leitos, pacientes ficavam sem atendimento na unidade hospitalar.

A assessoria do governador informou que a determinação de Ibaneis é demitir servidores, concursados ou comissionados, que não acatem a orientação dele de prestar o melhor atendimento possível ao público.

Ainda na tarde desta quarta-feira (20/3), o próprio governador recorreu às redes sociais para comentar sobre os desligamentos de dirigentes hospitalares. Pelo Twitter, Ibaneis disse “lamentar” as exonerações, mas garantiu que essa postura permanecerá quando houver insatisfação com servidores por parte do Palácio do Buriti.

“Lamento ter de exonerar pessoas que deveriam estar cumprindo com suas obrigações. Mas tomarei esta atitude sempre que for necessário. Por isto, afastei mais dois dirigentes da saúde, o diretor do Hospital Regional da Asa Norte e o superintendente da regional de saúde central”, escreveu.

Veja o tweet:

Reprodução / Twitter
Ibaneis publicou em sua conta do microblog sobre exonerações de gestores


Exoneração em Brazlândia

Em março, após a repercussão de um vídeo em que profissionais de saúde aparecem na sala de descanso do Hospital Regional de Brazlândia (HRBz) enquanto pacientes lotam o pronto-socorro da unidade à espera de atendimento, o governador determinou a exoneração do diretor da unidade de saúde, Valterdes Silva.

Além disso, ordenou à pasta da Saúde que instaure inquérito administrativo para apurar o caso.  “A secretaria confirma que recebeu determinação do governador para exoneração do diretor do Hospital de Brazlândia e abertura de inquérito administrativo sobre os fatos narrados no vídeo. As determinações serão cumpridas”, ressaltou o órgão, em nota.

Durante lançamento de pacote de medidas em comemoração ao Dia Internacional da Mulher, o governador disse que o servidor público tem obrigação de atender bem a comunidade. “No momento em que nomeio um diretor, ele está lá exatamente para cuidar não só do atendimento da comunidade como da fiscalização. E fica o recado para quem não quiser partir para essa situação: atenda bem a comunidade, fiscalize os servidores que estão sob a sua guarda”, destacou.

O flagrante no Hospital Regional de Brazlândia foi feito em 6/3 pelo sargento da Polícia Militar Flávio Mendes, que trabalha no local. As imagens mostram servidores sentados em poltronas, assistindo à TV. Acreditando que o local era ocupado por médicos, o PM cobra que os profissionais assumam seus postos para desafogar a fila de atendimentos, mas é informado de que ali só havia dentistas.

A versão foi confirmada pela Secretaria de Saúde. Segundo a pasta, os três profissionais que aparecem na imagem são dentistas e não médicos, como denuncia o sargento. “Como não havia demanda de odontologia, os profissionais estavam em descanso, no aguardo de novas demandas”, diz a nota encaminhada ao Metrópoles.

Veja:

 

De acordo com a SES, dois clínicos estavam escalados para cada turno de plantão em Brazlândia, atendendo somente pacientes graves, casos classificados como vermelho, laranja e amarelo, ou aqueles com possibilidade de se tornarem graves em caso de não atendimento.

Além disso, conforme explicou a pasta, os médicos atendiam pacientes internados na enfermaria do pronto-socorro e no box de emergência. Na ocasião, pacientes classificados sem gravidade, com a etiqueta verde, foram orientados a procurar uma das unidades básicas de saúde.