O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), usou o Twitter para comentar a exoneração do diretor do Hospital Regional de Brazlândia (HRBz) nesta sexta-feira (8/3). Valterdes Silva Nogueira perdeu o cargo após um vídeo gravado por um sargento da Polícia Militar viralizar – o caso foi revelado pelo Metrópoles. As imagens mostram servidores na sala de descanso, na terça de Carnaval (5/3), num dia de pronto-socorro lotado.

Ibaneis recorreu ao mesmo expediente do presidente Jair Bolsonaro (PSL) para se comunicar com o cidadão brasiliense. No microblog, o governador afirmou que será enérgico sempre que necessário e não exitará em exonerar qualquer servidor do GDF que não esteja cumprindo com suas obrigações. “É inaceitável que profissionais de saúde não prestem o devido atendimento à população”, reclamou.

 

Nesta sexta-feira (8), o Metrópoles teve acesso à justificativa encaminhada pelo diretor exonerado ao secretário de Saúde. Nela, Nogueira reclamou da atitude do policial, disse que os médicos de plantão estavam atendendo pacientes graves e que os servidores filmados eram dentistas.

Após ter acesso ao documento, a reportagem tornou a questionar o governador se, diante dos argumentos, haveria possibilidade de a decisão ser revista. Por meio de nota emitida via assessoria, o governador informou que mantinha sua decisão.

Já o Sindicato dos Médicos do Distrito Federal (SindMédico-DF) vai denunciar à Corregedoria da Polícia Militar o sargento Flávio Mendes, autor das filmagens. Segundo a entidade, o PM queria se promover. “Sua intenção é tão somente a de surgir no meio do caos como uma possível solução, já que, nas redes sociais, ele faz propaganda eleitoral irregular, colocando-se como candidato a deputado distrital em 2022”, diz comunicado do SindMédico.

Entenda o caso
O flagrante no Hospital Regional de Brazlândia foi feito na manhã de quarta-feira (6) pelo sargento Flávio Mendes, que trabalha no local. As imagens mostram servidores sentados em poltronas, assistindo a TV. Acreditando que o local era ocupado por médicos, o PM cobra que os profissionais assumam seus postos para desafogar a fila de atendimentos, mas é informado de que ali só havia dentistas.

A versão é confirmada pela Secretaria de Saúde. Segundo a pasta, os três profissionais que aparecem na imagem são dentistas e não médicos, como denuncia o sargento. “Como não havia demanda de odontologia, os profissionais estavam em descanso, no aguardo de novas demandas”, diz a nota encaminhada ao Metrópoles.

Veja:

De acordo com a SES, na terça (5) e na quarta-feira (6), dois clínicos estavam escalados para cada turno de plantão, atendendo somente pacientes graves, casos classificados como vermelho, laranja e amarelo, ou aqueles com possibilidade de tornarem-se graves em caso de não atendimento.

Além disso, conforme explicou a pasta, os médicos atendiam pacientes internados na enfermaria do pronto-socorro e no box de emergência.

Pacientes classificados sem gravidade, com a etiqueta verde, foram orientados a procurar uma das unidades básicas de saúde, que voltaram a funcionar nessa quinta (7).