Família denuncia hospital por placenta esquecida em grávida após parto
Parentes relataram que Everalda Ribeiro teve uma infecção generalizada e morreu cinco dias após ser atendida no Hospital Regional de Santa Maria (HRSM) no domingo da semana passada (14/8)
atualizado
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Ofensas verbais, proibição da presença de acompanhantes, aceleração do parto por meio de aplicação de hormônio… São muitos os relatos de violência sofridos por gestantes e parturientes em maternidades e hospitais públicos do Distrito Federal. Uma família da capital passou por momentos traumáticos na última semana e engrossou as denúncias contra a saúde do DF. A estudante Francisca Rejane Alves, 16 anos, contou à reportagem que sua tia morreu após médicos do Hospital Regional de Santa Maria (HRSM) “esquecerem” a placenta dentro do corpo da vítima depois do parto.
Segundo a jovem, Everalda Ribeiro, 36 anos, chegou à unidade hospitalar na madrugada do último domingo (14/8). Por volta das 8h, ela ganhou o bebê, que nasceu com dificuldades para respirar. “O marido da Everalda disse que os profissionais correram para dar atenção à criança e que se descuidaram da minha tia”, explicou.Na quarta (17), a mulher passou mal, queixou-se de dores na região do estômago. De acordo com a sobrinha, um dos médicos do HRSM teria dito que seriam gases. “A Everalda continuou se sentindo mal e, na quinta (18), ela fez uns exames e um funcionário do hospital nos informou que os médicos teriam esquecido de retirar a placenta dela durante o parto”, detalhou Francisca.
Um dia após os exames, Everalda teve uma infecção generalizada e não resistiu. “Queríamos uma explicação para o que ocorreu e ouvimos apenas que ‘coisas assim acontecem mesmo’”, desabafou a sobrinha. De acordo com Francisca, o marido de Everalda vai processar o hospital e o obstetra responsável pelo parto. “Ele não está em Brasília. Como a família da minha tia é do Piauí, o enterro foi lá, mas, assim que voltar, tentará falar com um advogado”, finalizou a estudante.
Secretaria nega esquecimento de placenta
Por meio de nota enviada à reportagem, a Secretaria de Saúde disse que, “ao contrário do que foi informado, não houve esquecimento da placenta, a qual foi expelida naturalmente”. A pasta ainda afirmou que Everalda “chegou a receber alta no segundo dia após o parto, mas permaneceu no hospital para acompanhar o bebê, que precisou receber outros cuidados. No quarto dia, a paciente relatou dor lombar e foi imediatamente submetida a ultrassom e exames laboratoriais, os quais foram repetidos”.
A secretaria acrescentou que “a paciente chegou a ser medicada e internada em um leito de unidade de terapia intensiva (UTI), mas não resistiu. O quadro foi considerado atípico pela equipe médica devido à rápida evolução desfavorável. Informamos que o caso seguirá para investigação”.
UTI no centro de crise política
A UTI do Hospital Regional de Santa Maria está no centro dos problemas que tragaram a Câmara Legislativa para uma grave crise política. A empresa Intensicare — responsável pela gestão da UTI — opera sem licitação desde 2010 e já recebeu R$ 200 milhões do GDF nos últimos anos. A terceirizada é uma das empresas suspeitas de envolvimento no pagamento de propina a deputados distritais em troca da liberação de recursos.
Na última sexta-feira (19) a Intensicare teve os sigilos bancário, fiscal e telefônico quebrados pela CPI da Saúde, na Câmara Legislativa. A medida foi tomada horas após o Metrópoles noticiar que a Intensicare não havia sido incluída na lista de outras cinco gestoras de UTIs locais que tiveram os dados quebrados por determinação dos distritais.
