Rollemberg quer apoio do setor produtivo para mudar previdência do GDF
Governador se reúne com empresários nesta segunda (10/9) para alertar o que pode ocorrer caso projeto não seja aprovado

Com dificuldades para votar o Projeto de Lei Complementar 122/2017 na Câmara Legislativa, o governador Rodrigo Rollemberg (PSB) segue pressionando diversas frentes com o objetivo de conseguir alterar as regras da previdência dos servidores do GDF. Na tarde desta segunda (11/9), se reúne com o setor produtivo. Na pauta do encontro, o chefe do Executivo local vai apresentar a versão do Palácio do Buriti sobre o que pode ocorrer com a economia local caso a medida não seja votada e aprovada.
Além de ter alertado sobre o iminente parcelamento de salários dos servidores públicos do DF e acerca do não pagamento de fornecedores, Rollemberg vai fazer um alerta aos convidados. No discurso, ele mostrará que, caso o projeto não seja aprovado, o GDF não terá recursos para pagar servidores, aposentados, pensionistas nem fornecedores. Com isso, não haverá dinheiro circulando, o que terá impacto negativo em todos os setores.
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Na lista de convidados não figuram, entretanto, representantes dos principais setores que prestam serviço para o GDF atualmente, que são as empresas de limpeza e segurança. Fontes do governo explicam que a intenção é não envolver os credores nesta discussão.
Liminar
Neste domingo (10), o GDF fez uma tentativa na Justiça de a matéria voltar para a pauta da Câmara Legislativa. Entrou com ação no Supremo Tribunal Federal (STF) tentando derrubar a liminar que impede a votação da reforma da Previdência na Câmara Legislativa. No documento endereçado à presidente da Corte, ministra Cármen Lúcia, o governo alega que houve “grave lesão à ordem pública, interferência indevida do Judiciário no processo legislativo e quebra do princípio da separação de Poderes”.
A procuradora-geral do Distrito Federal, Paola Aires Corrêa Lima, e o procurador Lucas Terto Ferreira Vieira, que assinam a peça, questionam os argumentos dos distritais Wasny de Roure e Ricardo Vale. Os petistas são os autores do mandado de segurança que impediu a votação do Projeto de Lei n° 122/2017.
Na última terça (5), quando os deputados se reuniam em plenário para votar a matéria, o Tribunal de Justiça do DF e Territórios (TJDFT) deferiu mandado de segurança apresentado pelos parlamentares do PT. Wasny e Vale alegaram que não foi respeitado o devido processo legislativo, pois não houve tempo hábil para a apresentação de emendas à proposta que altera o regime previdenciário do funcionalismo ligado ao GDF.
O projeto
O texto que o Palácio do Buriti quer aprovar tem três eixos. Um deles prevê a unificação das duas reservas do Iprev: o Fundo Financeiro (FF) e o Fundo Capitalizado (FC). Hoje, o FF mantém os aposentados que entraram nos quadros do governo até 31 de dezembro de 2006. Com 58 mil beneficiários e 52 mil servidores da ativa contribuintes, essa rubrica fechou 2016 com um rombo de R$ 2,1 bilhões.
Já o FC tem 34 mil funcionários da ativa contribuintes, que custeiam a aposentadoria de apenas 152 pessoas. Todos eles ingressaram no serviço público após 31 de dezembro de 2006. Nesse caso, o superávit é de R$ 4 bilhões.
Além da fusão desses fundos, o projeto do GDF cria uma previdência complementar para novos servidores públicos. Essa medida serviria para amparar o terceiro eixo do PLC n° 122/2017: limitar a aposentadoria do funcionalismo do Executivo local ao teto do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), hoje de R$ 5,5 mil. Quem quiser ganhar acima desse valor quando se aposentar terá que contribuir com uma aposentadoria complementar.


