Relatório apontou risco de esmagamento em aterro onde homem foi morto
Documento de abril deste ano chamou atenção para o fato de trabalhadores circularem entre veículos pesados no Aterro Sanitário de Samambaia

Um relatório técnico elaborado em abril deste ano apontou uma série de situações de risco para trabalhadores do Aterro Sanitário de Samambaia (DF), meses antes da morte do funcionário Anderson Araújo (foto em destaque), de 44 anos. O trabalhador morreu no último sábado (1º/8), após ser atingido por um trator enquanto realizava serviços mecânicos no local.
O documento feito a pedido da própria Sustentare Saneamento S/A, que opera no Aterro Sanitário de Samambaia, cita “situações encontradas em campo que representam risco grave e iminente à saúde e segurança dos colaboradores”. O relatório também dá instruções para possíveis melhorias com o objetivo de reduzir ou neutralizar os riscos, conforme normas regulamentadoras vigentes.
Entre os problemas apontados está a presença de funcionários entre caminhões durante a descarga de carretas em uma área considerada de risco de tombamento e esmagamento.
O documento foi assinado em 30 de abril de 2026. As inspeções que embasaram as conclusões nele contidas foram realizadas entre 27 e 30 do mesmo mês.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles DFEntenda o caso
- O Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal foi acionado para atender a uma ocorrência de atropelamento no Aterro Sanitário de Samambaia, no domingo (1º/8), por volta das 8h56. Ao chegar ao local, a equipe encontrou o mecânico Anderson Araújo, 44 anos, já sem vida;
- Segundo a Polícia Civil (PCDF), que investiga o caso, Anderson realizava manutenção em uma máquina quando se deslocou para a área de operação de um trator utilizado para o espalhamento e a compactação de rejeitos e resíduos;
- Durante uma manobra em marcha à ré, o trator atingiu Anderson pelas costas;
- O operador do trator que atropelou Anderson informou que não percebeu a presença do mecânico e que só tomou conhecimento do acidente depois que o veículo passou sobre a vítima;
- Após o ocorrido, o operador interrompeu imediatamente a operação, permaneceu no local e aguardou a chegada das equipes de socorro e da polícia;
- Não houve atendimento médico, e os bombeiros permaneceram na cena até a chegada das autoridades policiais responsáveis, conforme o protocolo adotado em ocorrências com vítimas;
- A PCDF informou que o caso está apuração, com natureza de homicídio culposo, localização ou remoção de cadáver. A ocorrência ainda está em fase de registro, e as circunstâncias da morte serão investigadas;
- De acordo com o Serviço de Limpeza Urbana do Distrito Federal (SLU-DF), que gere o aterro em questão, Anderson era funcionário das empresas que formam o Consórcio Sustentare/Valor Ambiental.
Falta de EPIs
O relatório também registra que caminhões realizavam descargas muito próximos uns dos outros, com risco de tombamento e possíveis danos à vida ou materiais. Além disso, funcionários de empresas terceirizadas que acessavam o aterro “raramente utilizam equipamentos de proteção individual (EPIs)” e se posicionavam entre máquinas em movimento, apesar das orientações realizadas.
“Reforça-se a importância da conscientização diária e adoção de medidas administrativas”, diz o texto.
Outra situação identificada foi a circulação de caminhões, carros e outros veículos acima do limite de 30 quilômetros por hora estabelecido para o aterro.
Além dos riscos relacionados à movimentação de máquinas e veículos, o relatório registra outros problemas encontrados durante a vistoria, como a presença de pombos na oficina, considerada um risco à saúde dos trabalhadores; a realização de atividades que não estavam previstas na ordem de serviço; e problemas estruturais e de higiene.
Por fim, a vistoria identificou que era comum colaboradores realizarem atividades além das previstas na ordem de serviço com o objetivo de auxiliar outras funções. Segundo o texto, a prática poderia representar risco de acidentes de trabalho e gerar passivos trabalhistas.
O Metrópoles entrou em contato com a empresa Sustentare Saneamento S/A, mas, até o momento, não teve retorno. O espaço segue aberto.



