“Rede criminosa deu apoio”, diz secretário sobre fuga de Lázaro

Duas pessoas foram presas nesta quinta-feira (24/6), em Girassol (GO), suspeitas de ajudar o criminoso a fugir da força-tarefa

atualizado 25/06/2021 0:14

Rodney Miranda, secretário de Segurança Pública de GoiásHugo Barreto/Metrópoles

O secretário de Segurança Pública de Goiás, Rodney Miranda, disse nesta quinta-feira (24/6) que há uma “rede criminosa” ajudando na fuga de Lázaro Barbosa, 32 anos. 

“Quem facilita vida de foragido comete crime. Desconfiamos que tem outras pessoas ajudando e vamos chegar nelas. Vamos chegar a essa rede criminosa que apoia o Lázaro”, garantiu o secretário.

Nesta tarde, duas pessoas foram presas suspeitas de ajudar Lázaro a fugir da força-tarefa. Os nomes e as circunstâncias das prisões não foram detalhados.

Os dois indivíduos estão sendo autuados em Girassol (GO) e serão levados para Águas Lindas de Goiás. Um deles, segundo Miranda, estaria com uma das armas que Lázaro roubou, com 50 munições, na região de Cocalzinho (GO).

“Trata-se de uma rede de psicopatas ajudando ele”, afirmou Rodney Miranda. De acordo com o secretário, só psicopatas poderiam ajudar Lázaro, que tem uma extensa ficha criminal. Para o titular da Segurança Pública de Goiás, somente essa ajuda poderia justificar o fato de o criminoso não ser preso até agora.

“Sabíamos que não era normal ele conseguir fugir por tanto tempo sem ajuda, sem uma rede ajudando ele”, completou. Miranda destacou que os envolvidos estão sendo ouvidos e ainda não foi definido se serão autuados por serem cúmplices de Lázaro ou coautores dos crimes que ele cometeu.

Não há confirmação se as pessoas presas teriam, também, participado da chacina da família Vidal, no Incra 9, em Ceilândia, no dia 9 de junho. O secretário confirmou que o criminoso foi visto nesta tarde. Ele está foragido há 16 dias.

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Megaoperação

O clima está tenso na região de Girassol desde o início da tarde. Um grande contingente de policiais, viaturas, helicópteros e cães farejadores foi mobilizado em buscas ao criminoso. Foi feita uma barreira na estrada de acesso ao Setor de Chácaras e os moradores impedidos de entrar. A região foi cercada após denúncias da presença de Lázaro no local.

Por volta das 15h, dezenas de viaturas, dois helicópteros e o secretário seguiram apressados para a região. Uma moradora disse ter visto Lázaro no local. A mulher contou que viu o suspeito e que ele correu para uma região de mata, onde homens da força-tarefa entraram.

Um outro morador do Setor de Chácaras, por onde as equipes passaram, estava saindo em direção à BR-070, e relatou ao Metrópoles o que testemunhou. “Os policiais entraram no mato. Havia grande movimentação daí para trás. Vimos várias viaturas passando.”

 

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Além de ser suspeito de matar uma família no DF, Lázaro é acusado de atirar em quatro pessoas, entre elas um policial, e cometer uma série de assaltos com reféns durante a sua fuga em Goiás.

Desde que saiu do DF, Lázaro trocou tiros duas vezes com a polícia e também com um caseiro de uma chácara em Areia Branca, fazendo uma família refém.

Chacina

Lázaro é suspeito de matar Cláudio Vidal de Oliveira, 48 anos, Gustavo Marques Vidal, 21, e Carlos Eduardo Marques Vidal, 15. Ele ainda sequestrou Cleonice Marques de Andrade, 43 anos, esposa de Cláudio e mãe das outras vítimas. O crime ocorreu na madrugada de 9 de junho, no Incra 9, em Ceilândia.

O corpo de Cleonice foi encontrado dias depois, em um matagal. O cadáver estava sem roupa e com um corte nas nádegas, em uma zona de mata perto da BR-070.

Desde que matou a família Vidal, Lázaro vem entrando e saindo de propriedades, fazendo novas vítimas. Ainda no Incra 9, em Ceilândia, ele invadiu outros dois locais, baleando três pessoas em um deles, além de um policial. Em Goiás, ele tem se escondido na região entre Girassol, Edilândia e Cocalzinho, Entorno do DF.

Família Vidal:

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Ficha criminal

A vida criminal de Lázaro começou em 2008. Na época, ele foi preso por um duplo homicídio em Barra do Mendes, município baiano que fica a 540 km de Salvador. Ele é natural da cidade.

Segundo a Polícia Civil baiana, o criminoso foi indiciado pelos assassinatos de José Carlos Benício de Oliveira e Manoel Desidério Silva, no povoado de Melancia. O inquérito, concluído e enviado à Justiça, aponta que ele atingiu as vítimas com disparos de espingarda e depois fugiu, apresentando-se dias depois na unidade policial. Após a prisão, ele acabou fugindo para o Centro-Oeste.

No DF, chegou a ser condenado por roubo e estupro. Mas, também, conseguiu fugir do sistema penitenciário em 2016.

A capacidade de fuga de Lázaro já é velha conhecida da polícia e do sistema prisional goiano. Em julho de 2018, ao tentar escapar junto de outros cinco detentos do presídio de Águas Lindas (GO), no Entorno do Distrito Federal, ele foi o único que obteve êxito.

Lázaro foi preso no dia 8 de março de 2018, por suspeita de assassinatos ocorridos na Bahia, além de estupro, roubo e porte ilegal de armas no DF. Ele tinha, na época, três mandados de prisão em aberto.

A ausência dele entre os internos do presídio de Águas Lindas só foi sentida no momento de recontagem dos detentos, após a ação policial no local. No entanto, a essa altura, ele já estava longe.

A fuga ocorreu durante a madrugada, por volta das 2h, de 23 de julho de 2018, segundo a Diretoria-Geral de Administração Penitenciária de Goiás (DGAP).

Personalidade violenta

Laudo psicológico feito no âmbito de um dos processos contra Lázaro Barbosa, em 2013, constatou que o homem tem características de personalidade violenta, como agressividade, ausência de mecanismos de controle, dependência emocional, impulsividade e instabilidade emocional.

Ainda de acordo com os psicólogos que assinam o documento ao qual o Metrópoles teve acesso, o criminoso tem possibilidade de “ruptura do equilíbrio, preocupações sexuais e sentimentos de angústia”.

O autor, segundo os especialistas, teve o desenvolvimento psicossocial prejudicado devido a agressões familiares, uso abusivo de álcool e drogas, falecimento familiar, abandono das atividades escolares, trabalho infantil e situação financeira precária.

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