Quem foi o ditador Alfredo Stroessner, alvo de disputa por herança no DF
Os bens do ex-ditador são pleiteados por Enrique Alfredo Fleitas, filho de Michele Fleitas, amante do ditador paraguaio nos anos de 1970

Enterrado em Brasília desde 2006, Alfredo Stroessner comandou o Paraguai por quase 35 anos sob um dos regimes ditatoriais mais longos da América do Sul. Agora, uma disputa judicial envolvendo sua herança traz novamente à tona a história do militar.
O ex-ditador paraguaio governou o país latino-americano por quase 35 anos, entre 1954 e 1989, após um golpe militar, em um período que ficou conhecido como “El Stronato”. Nessa época, as relações entre Brasil e Paraguai eram firmes e tiveram como um dos principais resultados a construção da usina binacional de Itaipu.
Ao longo de seu governo, milhares de pessoas desapareceram, foram mortas ou perseguidas. As evidências foram localizadas em 1992, quando um ativista dos Direitos Humanos e vítima do Stronato encontrou documentos que foram chamados de “Arquivo do Terror”.

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Ver todasNesse material, foram detalhados os crimes cometidos durante a gestão de Stroessner – que tinham o conhecimento do então presidente –, seguindo a Operação Condor, que reuniu ditadores da América Latina em ação secreta contra opositores políticos.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles DFEm 2019, restos mortais e ossos foram encontrados em um imóvel que havia sido abandonado no fim da ditadura, conhecido como “A casa de Stroessner” ou “A casa do horror”, em Ciudad del Este.
Justiça por herança
A disputa pelo espólio do ex-ditador segue em tramitação na Justiça do Distrito Federal. Os bens de Alfredo Stroessner são pleiteados por Enrique Alfredo Fleitas, filho de Michele Fleitas, amante do ditador paraguaio nos anos de 1970.
Ao ser deposto da Presidência do Paraguai em 1989, Strossner passou a viver em Brasília como asilado político. Ele morreu em 16 de agosto de 2006 e foi enterrado no cemitério Campo da Esperança, na Asa Sul.
Após determinação da Justiça, o corpo do ditador foi exumado para teste de DNA, que confirmou a ligação sanguínea de Stroessner com o filho gerado fora do casamento. O processo corre em sigilo.
A dimensão do espólio de Stroessner ainda é desconhecida, mas a estimativa é de que a cifra pode passar de bilhões de reais.
O patrimônio de Alfredo Stroessner foi dissipado ao redor do mundo, o que tem gerado trabalho árduo para localizar as posses, checar a disponibilidade e acionar a Justiça em cada um dos países em que, potencialmente, os bens estão situados.
Há expectativa de que parte dos bens esteja na Suíça, nos Estados Unidos e no Brasil, além do Paraguai, por óbvio.
Sobre o asilo na capital
- Stroessner foi deposto em fevereiro de 1989 por um golpe militar liderado por Andrés Rodríguez, seu antigo aliado e consogro;
- Expulso do Paraguai, recebeu asilo político no Brasil e passou a viver em Brasília;
- Na época, o presidente José Sarney seguiu diplomacia que regia as relações naquele momento e concedeu autorização para que o ditador paraguaio tivesse onde pousar;
- Em Brasília, Stroessener viveu por 17 anos no Lago Sul, inicialmente na QI 9 e depois na QL 12;
- Ele era frequentemente visto em igrejas da região e tomando sol no quintal da mansão em que morava;
- Stroessner morreu aos 93 anos, em hospital particular de Brasília, pesando 45 quilos. Ele sofreu complicações após cirurgia e passou quase um mês internado em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) antes de morrer.



