“Que que eu fiz?”, questionou gêmeo ao ser agredido no lugar do irmão
Alvo do ataque era Wesley, mas o gêmeo Walisson acabou sendo espancado pelo namorado da ex do irmão
atualizado
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“O que que eu fiz?”. A pergunta foi repetida diversas vezes por Walisson Kelvin, 27 anos, enquanto era espancado por um grupo na tarde de terça-feira (3/3), em Taguatinga Norte (DF), segundo relato da vítima ao Metrópoles. Ele foi atacado após ser confundido com o gêmeo Wesley Kleverson, 27, pelo namorado da ex-companheira do irmão. Os dois moram com a mãe no mesmo prédio.
Assista ao relato
Horas antes da agressão, a ex-namorada de Wesley, Nicolly Laisa, entrou em contato com ele pelas redes sociais e sugeriu que os dois se reencontrassem. O relacionamento entre eles durou cerca de dois anos, entre 2020 e 2022. Segundo a família, a mulher pediu que Wesley descesse do prédio para conversarem pessoalmente. Quem acabou descendo na hora, no entanto, foi o irmão gêmeo, Walisson.
Ao descer para fumar, ele foi cercado por Wanderson Nogueira da Silva — atual companheiro da ex-namorada do irmão —, Paulo Victor Dione Alves da Silva — que estava armado com um revólver calibre .38 — e por um adolescente de 14 anos.
Segundo a vítima, o grupo logo iniciou as agressões. Durante o ataque, um dos homens sacou uma arma, deu uma coronhada na cabeça de Walisson e chegou a apontar o revólver para o rosto dele.
A irmã mais velha dos gêmeos estava no local com a filha de 7 anos. Como Walisson havia descido para fumar, ela se afastou um pouco com a criança para brincar. Pouco depois, ouviu gritos e percebeu a movimentação.
“Quando olhei, vi um homem no chão e outras pessoas em cima dele batendo”, contou. Ela só percebeu que a vítima era o próprio irmão quando se aproximou da confusão.
A agressão terminou quando um policial aposentado que passava pela região efetuou disparos para dispersar o grupo, que fugiu.
O advogado da família Marco Montezuma afirma que ainda é cedo para concluir se o ataque foi planejado apenas pelo atual namorado da ex-companheira de Wesley ou se houve participação dela. Segundo ele, uma das hipóteses é de que o crime tenha sido cometido em conjunto. “Ele não saberia o endereço da vítima”, afirmou.
Wesley, que seria o verdadeiro alvo da emboscada, afirma que a ex-companheira continuava tentando manter contato. “Ela é obcecada, vinha atrás de mim. Em 2024 fiquei três meses internado com pneumonia agravada por covid, e ela e a família iam me visitar no hospital, mesmo ela já namorando esse cara. Ele fez isso motivado por ciúmes”, contou.
Até o momento, nem a ex-namorada nem o atual companheiro dela prestaram depoimento formal à polícia. Em nota enviada ao Metrópoles, a defesa Wanderson disse que o homem envolvido estaria sendo perseguido e sofrendo ameaças e provocações do irmão da vítima. A advogada ressaltou que o estopim teria sido o envio de imagens íntimas da companheira dele.
Contato no mesmo dia
Segundo Wesley, o primeiro contato com a ex ocorreu na manhã do mesmo dia, por volta das 10h. Nas mensagens, ela perguntou como ele estava e sugeriu que os dois se encontrassem.
Horas depois da agressão, a própria mulher enviou uma mensagem dizendo: “vou é te matar”. Foi a partir desse contato que a família percebeu que o alvo da emboscada seria Wesley, e não Walisson.
A Polícia Militar foi acionada e policiais do Grupo Tático em Ações Motociclísticas (GTAM), da Rotam, localizaram os suspeitos em Ceilândia. Dois homens, a ex-namorada e o adolescente foram conduzidos à delegacia.
Com o grupo, os policiais apreenderam um revólver calibre .38 com munições, uma faca, três celulares e o carro usado na fuga. Um dos adultos possuía mandado de prisão em aberto.
Os adultos foram autuados por ameaça, lesão corporal, posse irregular de arma de fogo de uso restrito, cumprimento de mandado de prisão e corrupção de menor e encaminhados à 15ª Delegacia de Polícia (Ceilândia). O adolescente foi levado à Delegacia da Criança e do Adolescente (DCA) II, em Taguatinga.






