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Policiais da 1ª DP (Asa Sul), prenderam, nesta terça-feira (10/7), quatro suspeitos de participação no linchamento do estudante Victor Martins Melo (foto em destaque), 16 anos. O crime ocorreu durante uma festa eletrônica no Parque da Cidade, no dia 26 de maio de 2018.

Segundo o delegado da 1ª DP, João de Ataliba Nogueira Neto, Victor foi confundido com o autor do furto de um celular. “Temos convicção disso”, assegurou o policial, que coordenou a operação batizada de Operação Thanatus, no Paranoá e em Sobradinho.

Os presos nesta terça (10) são: Wesley Vinícius Moreira de Melo, 20 anos; Marcela Sabrina da Silva, 24; Wellington Silva Alves, 23; e Alan Luiz da Silva Júnior, 23. Eles estavam em casa, no Paranoá Parque e Sobradinho, e foram encontrados após denúncias anônimas que a polícia recebeu. Os investigadores também cumpriram 12 mandados de busca e apreensão nessas regiões.

As casas de nove menores que estudavam na mesma escola de Victor foram alvo dos mandados de busca e apreensão cumpridos nesta terça (10). Como ainda não foram ouvidos, não se sabe se conheciam a vítima. Entre os objetos recolhidos, foram encontradas algumas facas, que podem ter sido usadas no crime.

Victor foi linchado por mais de 20 pessoas após ter sido acusado de furtar o celular de uma jovem na festa. Apanhou até morrer. Segundo a polícia, o laudo comprova que ele perdeu a vida após levar uma facada no coração, onde foi constatada uma perfuração de 4,5 cm. Os agentes buscam o autor desse golpe fatal.

Foi identificada ainda pelos peritos uma perfuração na cabeça e outra na virilha. Segundo os familiares, além de ter sido esfaqueado, o jovem levou garrafadas em várias partes do corpo. Os suspeitos tiveram prisão temporária decretada. Por se tratar de um crime hediondo, devem ficar, no mínimo, 30 dias encarcerados. Durante o cumprimento dos mandados, os agentes buscaram os pertences do Victor que haviam desaparecido.

Desde o início, os parentes da vítima contestaram a versão de furto. Dizem que Victor foi vítima de uma selvageria. Eles garantem que o rapaz era caseiro e vivia para os estudos. Também trabalhava na loja do pai. O adolescente não tinha passagens pela polícia.

 


Reviravolta

A suspeita de que Victor havia sido confundido foi levantada no decorrer das investigações. Durante os depoimentos, uma nova versão passou a ser investigada pela polícia: a de que a vítima teria ido à festa com amigos sem saber da intenção do grupo de roubar celulares. Segundo essa linha de apuração, um outro adolescente teria sido o autor do furto.

“Não sabemos se Victor tinha essa consciência ou se até mesmo viu o momento do roubo”, explicou o delegado João Ataliba Nogueira Neto. À polícia, o menor, que já tinha sido ouvido na fase inicial da investigação, negou as acusações. Testemunhas, porém, confirmaram a autoria dele no furto do celular.

Conforme contaram os estudantes, em depoimento, após o furto, algumas pessoas agrediram o adolescente. Ele teria retornado ao local para explicar à vítima que não tinha relação com o crime. Neste momento, foi novamente atacado, dessa vez por cerca de 20 pessoas, e espancado até a morte.

Victor saiu de casa para participar da festa – Cala-boca, me beija, que ocorreu no estacionamento 11 e teria sido marcada via redes sociais. A administração do Parque da Cidade não concedeu autorização para o evento, que reuniu cerca de 1.500 pessoas.

Um vídeo mostra o momento em que socorristas do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) tentam reanimar a vítima. As investigações continuam. A polícia pede para quem tiver alguma informação sobre o caso ligar para o número 197.