Por nova previdência, Rollemberg vai para o tudo ou nada
Governador admite retaliação a aliados que não votarem no projeto e ameaça: "Não faz sentido estar no governo e fazer oposição fora"

O governador Rodrigo Rollemberg (PSB) admitiu, na tarde desta terça-feira (12), que exonerou indicados do PDT no governo em retaliação à posição contrária de aliados na Câmara Legislativa, especialmente durante a votação do projeto que muda a previdência do servidor. O reconhecimento mostra que o chefe do Executivo está disposto a usar a caneta para pressionar os distritais a aprovarem a proposta.

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Ver todasRollemberg ainda fez questão de mandar um recado claro aos distritais. “A base está conosco desde o início. Sabe da nossa intenção com Brasília e, nos momentos mais importantes, não vota com o governo. Então não tem como participar do governo”, ressaltou.
O governador disse que não se sente traído. “A cidade tem uma grande chance de sair da crise e a reforma vai permitir a saída dessa situação. Poderemos investir, pagar salários”, ressaltou. O GDF tenta, na Justiça, colocar o Projeto de Lei Complementar nº 122/2017, que muda a previdência do servidor, em votação. E fez mais ameaças. “O governo é dinâmico. Não faz sentido estar no governo e fazer oposição fora.”
Se estivesse vivo, JK completaria 115 anos nesta terça. Rollemberg diz que foi ao Memorial buscar “inspiração” com o criador de Brasília para governar a capital do país.
As declarações de Rollemberg vêm logo depois de o GDF exonerar 27 comissionados que estavam lotados em agências do Trabalhador e em outras áreas da Secretaria do Trabalho, Desenvolvimento Social, Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos (Sedestmidh). As indicações da pasta eram do PDT. Legenda do presidente da Câmara Legislativa, Joe Valle, que esteve à frente da supersecretaria entre outubro de 2015 e agosto de 2016, e do deputado distrital Reginaldo Veras.
Nota
A reação do PDT às exonerações de indicados do partido lotados em órgãos do GDF foi rápida. Em nota divulgada nesta terça-feira (12/9), o presidente do partido no Distrito Federal, Georges Michel, contra-atacou dizendo que o Palácio do Buriti “atua com o intuito de intimidar e pressionar os deputados distritais” para que votem favoravelmente ao projeto de lei complementar que cria a nova previdência dos servidores.
No documento, a legenda lamenta “profundamente a atitude adotada pelo governador” e afirma que os distritais continuarão tendo “ampla e irrestrita liberdade de atuação”.
Sobre a posição do PDT com relação ao governo de Rollemberg, a nota destaca que a continuidade do apoio da legenda ao Executivo local será discutida “democraticamente” em convenção marcada para o próximo dia 17.


