O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), estuda se vale a pena manter como pública a Sociedade de Transportes Coletivos de Brasília (TCB) – primeira empresa de ônibus criada em Brasília. O chefe do Executivo confirmou ao Metrópoles que pedirá um estudo detalhado sobre a situação da entidade. A ideia é, com base nos valores aferidos, analisar o potencial de venda da TCB e prospectar o mercado para saber se há interesse da iniciativa privada.

O emedebista, contudo, não bateu o martelo a respeito do futuro da TCB e abriu a possibilidade de transformá-la dentro da estrutura governamental. Segundo a assessoria de Ibaneis, a privatização só será feita se for constatado que a manutenção da empresa pelos cofres públicos é inviável.

Para chegar a uma solução, o governador discutirá o assunto com o novo diretor-presidente da TCB, Chancerley Santana.

Quero um levantamento do funcionamento da empresa e o interesse privado na compra. Vou ter reuniões esses dias para conhecer melhor o funcionamento. Se for o caso, diante dessa questão da licitação, podemos mudar linhas e melhorar a TCB, para que siga como um órgão auxiliar. Está tudo em fase de estudo"
Ibaneis Rocha, governador do DF

A TCB foi fundada em maio de 1961 e passou a operar em junho daquele ano. Atualmente, tem 32 ônibus cadastrados no Transporte Urbano do Distrito Federal (DFTrans) e 180 funcionários, segundo informações do site.

A empresa opera sete linhas convencionais, que saem da Rodoviária e rodam pelo Plano Piloto, Cruzeiro e Sudoeste: 108, 108.3, 108.5, 108.6, 108.7, 108.8 e 131.3. A TCB ainda opera três linhas rurais e é responsável pelo ônibus executivo que vai do aeroporto ao Setor Hoteleiro Sul. Além disso, presta serviço de aluguel de veículos.

Desagrado
A possibilidade de não manter a TCB como empresa pública é vista como surpresa para funcionários da entidade. O presidente do Sindicato dos Servidores e Empregados da Administração Direta, Fundacional, das Autarquias, Empresas Públicas e Sociedades de Economia Mista do Distrito Federal (Sindser), André Luiz da Conceição, afirma tratar-se de uma “novidade”.

O sindicalista defende a manutenção de um órgão com vínculo governamental no setor de transportes. “Acreditamos que o governo de qualquer unidade da Federação precisa de empresa pública que funcione para quebrar o monopólio das companhias privadas. A TCB necessita de melhorias. Foi esse discurso que ouvimos na campanha”, declarou.

O presidente do Sindser pontua que a entidade, assim como outras empresas públicas do Governo do Distrito Federal (GDF), não consegue se manter sozinha, ou seja, depende do Tesouro local. “A nossa expectativa é de fortalecimento em prol da TCB para servir estrategicamente ao GDF”, reforçou.

A TCB não retornou o contato da reportagem, até a última atualização deste texto, para comentar a saúde financeira da empresa.

Sem licitação
Recentemente, a TCB foi alvo de polêmica. A Controladoria-Geral do Distrito Federal (CGDF) descobriu uma irregularidade de R$ 1.841.336,87 em contratos firmados pela TCB entre 2015 e 2016 – os dois primeiros anos da administração anterior, de Rodrigo Rollemberg (PSB).

Segundo o relatório divulgado pelo órgão regulador e noticiado pelo Metrópoles em maio de 2018, uma das falhas graves é o indício de fracionamento da despesa. Dessa forma, a empresa conseguia fazer compras sem realizar a devida licitação.

A análise revelou que a unidade empenhou sucessivos gastos relativos a um mesmo objeto. A ação estaria em desacordo com entendimentos do Tribunal de Contas da União (TCU).

À época, a TCB alegou, em nota, que examinou todos os apontamentos indicados pela CGDF e as providências foram tomadas, de acordo com resposta enviada ao órgão por meio de ofício em 13 de março de 2018.