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Em menos de 10 dias, equipes da Polícia Civil e do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) voltaram à Câmara Legislativa. Nesta sexta-feira (2/9), na segunda etapa da Operação Drácon, investigadores procuram novas provas sobre a denúncia de pagamento de propina a deputados distritais em troca da destinação de emendas parlamentares para empresas da área de saúde.

Os alvos foram os gabinetes dos integrantes da Mesa Diretora, afastados desde o dia 23 de agosto dos cargos por determinação judicial: Celina Leão (PPS); Raimundo Ribeiro (PPS); Julio Cesar (PRB), e Bispo Renato Andrade (PR). O distrital Cristiano Araújo (PSD) também está sendo investigado.

Divulgação

Policiais abrem os gabinetes da segunda e da terceira secretarias da Câmara

 

A ação foi coordenada pela Delegacia Especial de Repressão aos Crimes contra a Administração Pública (Decap) e teve o apoio de policiais da Delegacia de Repressão a Roubos e Furtos (DRF). Muitas viaturas descaracterizadas se envolveram na operação, que foi deflagada pelo Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT) após receber grampos feitos por Liliane Roriz.

Logo cedo, Bispo Renato divulgou uma nota sobre a segunda fase da operação. Disse que confia nas investigações da Justiça. Ele reafirmou que foi citado indevidamente por terceiros e que as acusações são infundadas. “O esclarecimento dos fatos é necessário e se dará no momento certo”, destacou.

Operação Drácon
A Operação Drácon foi deflagrada na terça-feira da semana passada (23/8). Na ocasião, as equipes cumpriram 14 mandados de busca e apreensão e oito de condução coercitiva (quando a pessoa é obrigada a depor) na Câmara Legislativa e na residência de parlamentares, servidores e ex-servidores.

A ação ocorreu uma semana depois de os áudios feitos pela deputada Liliane Roriz (PTB) sobre um suposto esquema de corrupção envolvendo parlamentares serem divulgados.

Entenda o caso
Liliane teria começado a grampear os colegas no fim do ano passado, quando os parlamentares decidiam sobre o que fazer com uma sobra orçamentária da Casa. Em um primeiro momento, os recursos seriam destinados ao GDF para custear reformas nas escolas públicas. De última hora, no entanto, o texto do projeto de lei foi modificado e o dinheiro – R$ 30 milhões de um total de R$ 31 milhões – realocado para a Saúde. O valor foi destinado ao pagamento de serviços em UTIs da rede pública que estavam atrasados.

Na ocasião, Liliane teria questionado Celina Leão sobre a mudança na votação. No áudio, é possível ouvir a então presidente da Câmara falando que o “projeto” seria para um “cara” que ajudaria os deputados. Celina disse ainda que Liliane não ficaria de fora: “Você (Liliane) tá no projeto, entendeu? Você tá no projeto. Já mandei o Valério (ex-secretário-geral) falar com você.”

Outros parlamentares
As denúncias feitas por Liliane atingem outros distritais, como o Bispo Renato Andrade e Julio César. Segundo é possível ouvir nas gravações, os dois teriam tentado negociar com Afonso Assad, presidente da Associação Brasiliense de Construtores. De acordo com o que Valério Neves diz em um dos áudios, o empresário poderia intermediar contratos com a Secretaria de Educação. Mas Assad não teria levado a cabo o “compromisso”. “O Afonso disse que não poderia garantir nada”, diz Valério Neves em um dos trechos.

Com a negativa do empresário de participar do tal “compromisso”, segundo explica Valério nos áudios, o deputado Cristiano Araújo teria conseguido o “negócio” das UTIs. Ao falar sobre quanto os “hospitais iam retornar”, Valério sussurra que seria “em torno de 7%” e diz ainda que todos os integrantes da Mesa Diretora tinham conhecimento do acordo. Celina, por sua vez, reforça na gravação que, se fosse para eles receberem algum tipo de ajuda, “teria de ser para todos”.

 

 

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