PF mirou em possível lista de trabalhadores sem registro na campanha de Ibaneis

Operação na sede do MDB-DF e em residência buscava dados sobre colaboradores do governador e do ex-distrital Cristiano Araújo nas eleições

JP Rodrigues/MetrópolesJP Rodrigues/Metrópoles

atualizado 23/05/2019 17:35

A operação da Polícia Federal realizada na terça-feira (21/05/2019) na sede do MDB-DF teve como finalidade encontrar possível lista de colaboradores que trabalharam sem o devido registro na prestação de contas eleitorais na campanha a governador de Ibaneis Rocha (MDB) e à fracassada reeleição para deputado distrital de Cristiano Araújo (PSD).

O inquérito policial investiga a suspeita de candidaturas laranjas e supostas irregularidades na prestação de contas da empresária Kadija Almeida Guimarães e da psicóloga Dolores Moreira da Costa Ferreira, candidatas a deputadas distritais pelo MDB em 2018. Além da sede do MDB-DF, foi alvo de busca e apreensão a casa de Silvia Helena, apontada como coordenadora das campanhas de Ibaneis e de Cristiano Araújo.

O Metrópoles teve acesso, nesta quinta-feira (23/05/2019), à decisão na qual foram autorizados os mandados. No documento, de 17 de maio, o juiz titular da 11ª Zona Eleitoral do DF, Luís Martius Holanda Bezerra Júnior, destaca que a apuração, ainda em sede embrionária, é voltada para investigar a prática, em tese, do crime de falsidade ideológica eleitoral.

O processo corria em sigilo até a noite de quarta-feira (22/05/2019). O pedido de liberação de acesso às informações foi feito pessoalmente pelo governador ao magistrado. “Se não, surgiriam especulações sobre do que se trata. Não tenho nada a temer”, assinalou Ibaneis ao Metrópoles.

Na decisão, o juiz pondera que “mostra-se útil e necessária a comparação entre a lista de colaboradores efetivamente apresentada pelas candidatas ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE-DF) e aquela provavelmente mantida pela coordenação da campanha a fim de apurar possível omissão do registro devido de colaboradores, conduta que se mostraria, em tese, penalmente relevante”.

Conforme as investigações da Polícia Federal apresentadas ao magistrado, Kadija e Dolores receberam significativos aportes financeiros do MDB-DF. Porém, houve pequena aquisição de material de campanha e vultosa destinação declarada para pagamento de militância. Ao fim do pleito eleitoral, ambas obtiveram “inexpressiva quantidade de votos”.

O magistrado cita, em sua decisão, depoimento de Ilka Quinhões de Azevedo, contratada por Kadija a R$ 2,2 mil, conforme prestação de contas disponível no site DivulgaCandContas, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

À PF, a mulher detalhou que Silvia Helena, teria, em tese, ajustado com os colaboradores formalmente contratados a devolução de parte dos valores por eles recebidos. Essa seria uma estratégia para pagar outras pessoas que trabalhariam informalmente, cuja remuneração, realizada com a diferença dos valores, teria sido omitida da prestação de contas.

Ilka contou que nem sequer conhecia Kadija ou Dolores e trabalhou, durante a campanha, exclusivamente para Ibaneis e Cristiano Araújo. Segundo o depoimento, Ilka assinou contrato de prestação de serviço a R$ 2 mil e tal valor, pago em três cheques, seria dividido com mais dois colaboradores. A cabo eleitoral teria devolvido dois dos cheques a Silvia Helena.

Com recebimento de R$ 573.024,91 na campanha, Kadija somou apenas 403 votos. Dolores, que contou com aporte de R$ 502.291,81, foi opção de só 551 eleitores.

A PF solicitou os mandados de busca e apreensão na residência da coordenadora da campanha majoritária e na sede do MDB-DF após exame da documentação enviada pelo TRE-DF e depois de ouvir três testemunhas.

Para Bezerra Júnior, há justificativa para urgência na diligência, “ante o risco natural de dissipação de elementos documentais, cuja obtenção, com o passar do tempo, tende a se mostrar dificultada”.

Confira a íntegra da decisão:

Decisão busca e apreensão n… by on Scribd

 

O outro lado
Advogado de Ibaneis, Bruno Rangel disse que não houve omissão na prestação de contas. “Aguardaremos o desenvolvimento da investigação, na certeza de que tudo será devidamente esclarecido”, acrescentou.

Sobre Silvia Helena, Rangel sustentou que, durante a campanha, “existiam inúmeros coordenadores de equipes locais, tanto na condição de voluntários, contratados ou ligados a outras lideranças, pois, obviamente, todos os candidatos da coligação proporcional, e ainda outros, pediam votos para o candidato ao governo”. Assim, completou, “certamente a pessoa citada não figurou na posição de coordenadora geral da campanha”, concluiu.

À reportagem, Cristiano Araújo disse que Silvia trabalha com ele há mais de 10 anos. Sobre Ilka, entretanto, afirmou não conhecê-la. “Eventualmente, pode ser que, dentro das mais de 2 mil reuniões, ela estava”, ponderou. O ex-deputado distrital destacou, ainda, que “está tranquilo”. “As minhas contas foram prestadas. A Silvia trabalhou comigo, não tem nada anormal”, concluiu.

Advogado do MDB-DF, Herman Barbosa informou que a defesa está analisando o processo. A Polícia Federal não deu detalhes sobre a operação.

Kadija de Almeida Guimarães, Dolores Moreira da Costa Ferreira e Silvia Helena não foram localizadas. O espaço continua aberto para eventuais manifestações.

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