MDB-DF: candidaturas receberam R$ 1,9 mi e PF apura se houve laranjas

Valor se refere ao destinado para mulheres que concorreram a cargos de deputada. Sede do partido foi alvo de operação de busca e apreensão

JP Rodrigues/MetrópolesJP Rodrigues/Metrópoles

atualizado 22/05/2019 16:26

Na mira da Polícia Federal, as candidatas do diretório regional do Movimento Democrático Brasileiro (MDB) no Distrito Federal nas eleições de 2018 alcançaram resultado pífio nas urnas, apesar de terem recebido vultoso aporte financeiro. Somados, os valores superam R$ 1,9 milhão, sendo que boa parte do dinheiro veio dos cofres da legenda.

Ainda assim, algumas aspirantes à política tiveram menos de 100 votos, sendo que a maioria não ultrapassou a marca de 300. Os dois casos que mais chamam atenção são o da empresária Kadija e o da psicóloga Dolores Ferreira. A primeira, cuja campanha teve R$ 573.024,91, somou apenas 403 votos. A segunda contou com aporte de R$ 502.291,81, mas foi opção de só 551 eleitores.

Ao todo, 15 filiadas à sigla disputaram uma vaga de deputado distrital e uma, de federal. Nenhuma delas foi eleita.

Confira a quantia e os votos recebidos por cada candidata do MDB-DF:

 

Como revelou a Grande Angular, na terça-feira (21/05/2019), na hora do almoço, policiais federais realizaram operação de busca e apreensão na sede do MDB-DF, que fica no Edifício Assis Chateaubriand, no Setor de Rádio e TV Sul.

A suspeita é de que o partido tenha lançado candidaturas laranjas apenas para cumprir a cota de 30% estipulada pela legislação eleitoral e desviaram os recursos públicos destinados a elas para a campanha de outros candidatos da sigla.

Dois agentes e um delegado ficaram cerca de 20 minutos no local e levaram pastas com documentos. A PF também esteve em um endereço residencial ligado ao MDB, mas não foi informado em que local.

Atual presidente de honra do MDB-DF, o ex-vice-governador Tadeu Filippelli estava licenciado do comando da sigla durante as eleições de 2018. Investigado por desvios na construção do Estádio Nacional Mané Garrincha, o político voltou a ser citado em denúncias, no último dia 17. O emedebista é alvo central de um dos anexos da delação do empresário Henrique Constantino, homologada pela 10ª Vara Federal.

O empresário relatou como se deu o processo de redução da alíquota do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS) aplicada ao querosene de aviação no DF. Segundo o delator, a negociação foi na base da propina.

O ex-vice-governador foi procurado pela reportagem, mas não se manifestou sobre o assunto. O MDB-DF informou que só comentará o caso após ter acesso ao inquérito da PF. O advogado da legenda, Herman Barbosa, protocolou procuração solicitando informações sobre a investigação. Como a apuração está sob sigilo, a Polícia Federal não deu detalhes sobre a operação.

O Metrópoles tentou entrar em contato com as candidatas da sigla que disputaram a última eleição, mas elas não foram localizadas. O espaço segue aberto.

 

 

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