“O governo das mãos limpas não está tão limpo”, ironiza Vigilante

Deputado pelo PT critica o GDF, alvo de operação policial que investiga tráfico de influência no Buriti. Distritais comentam o escândalo

Rafaela Felicciano/MetrópolesRafaela Felicciano/Metrópoles

atualizado 10/08/2018 3:42

Em sessão vazia, poucos foram os deputados distritais que se manifestaram, nesta terça-feira (7/8), sobre a operação da Polícia Civil que atingiu o coração do governo de Rodrigo Rollemberg (PSB). Um dia após o lançamento da chapa Mãos Limpas pelo grupo que apoia a reeleição do governador, veio à tona o escândalo em que servidores da cúpula do Palácio do Buriti são investigados por suposto tráfico de influência.

O mais duro nas críticas ao governo e à chapa de Rollemberg foi Chico Vigilante (PT). O petista usou um trocadilho para se referir à ação da Polícia Civil.

Parece que o governo das mãos limpas não está tão limpo assim. A polícia esteve no gabinete da Casa Civil. Não foi um pastor, um pai de santo ou um padre. Foram para apurar coisas erradas desta gestão

Chico Vigilante (PT), distrital

Candidato ao Senado pela chapa de Rollemberg, Chico Leite (Rede) defendeu as investigações e a ação da Polícia Civil. Mas disse que os suspeitos têm direito a se defenderem.

“Todas as vezes que houver indício de irregularidades, tem que se fazer a investigação. Até para dar transparência e direito de defesa. A Polícia Civil é um órgão de Estado, não de governo. Confio na seriedade de quem está à frente das investigações”, afirmou Chico Leite.

Um dos alvos da ação policial é o administrador do Lago Norte, Marcos Woortmann. Ele foi indicado pela Rede Sustentabilidade, mas se desfiliou da sigla no fim de 2017, depois de o partido anunciar o rompimento com o governo de Rodrigo Rollemberg. Woortmann discordou da decisão e preferiu se manter no cargo.

Drácon
A ação policial dentro do Palácio do Buriti ocorreu no mesmo dia em que a 6ª Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) trancou, por unanimidade, o processo contra o deputado Raimundo Ribeiro (MDB), por suposta participação no esquema da Operação Drácon – a ação contra Celina Leão (PP), no entanto, continua em andamento. Os episódios foram classificados como uma “vitória” por um distrital de oposição que pediu para não ter o nome divulgado.

“Essa ação mostra que existem policiais fiéis ao povo de Brasília, e não apenas ao governador. Foi o Rollemberg quem colocou os deputados dessa Casa no meio da Operação Drácon. Agora, ele está experimentando do próprio veneno”, afirmou o parlamentar. A Drácon apura o suposto pagamento de propina e desvio de recursos de emendas parlamentares.

Shopping no Lago Norte
Outro alvo das investigações policiais são irregularidades nos procedimentos que visavam a ampliação do shopping Iguatemi, localizado no Lago Norte. As discussões sobre a permissão para aumentar a área de centros comerciais está na nova Lei de Uso e Ocupação do Solo (Luos).

Na segunda-feira (6), o GDF devolveu à Câmara Legislativa o texto da Luos. Defensor dos debates, o distrital Wasny de Roure (PT) afirmou que a área onde está localizado o Iguatemi seja revisada nos trabalhos da Comissão de Assuntos Fundiários (CAF).

“Essa questão do Iguatemi tem que ser debatida antes de o governo encaminhar qualquer proposta [em referência à Luos], sobretudo em relação ao Lago Norte. Um empreendimento daquele porte trava a entrada e a saída daquela península. Eles pensam em vender lotes no Taquari, mas defendo que, antes, sejam feitos os debates que dizem respeito a essas alterações”, alertou Wasny, ao comentar a ação da Polícia Civil.

O deputado Robério Negreiro (PSD) colocou em xeque a viabilidade de a CLDF votar a Luos ainda nesta Legislatura. “Causa muita estranheza o aumento ou incremento de área. Esse governo mandou o projeto sem justificativa e sem balizar o interesse público. Vamos analisar isso a fundo. Se esse governo for reeleito, vou fazer uma emenda na CAF para que não haja aumento de área no shopping, que já é gigantesco”, disse.

O vice-presidente da Câmara Legislativa, Wellington Luiz (MDB), voltou a artilharia contra o agora ex-assessor especial da Casa Civil Marcello Nóbrega, um dos investigados pela Polícia Civil. “Não conheço os detalhes da operação, mas o que vejo é a coincidência da participação do senhor Marcello Nóbrega em mais um caso suspeito.”

A distrital Celina Leão (PP) lembrou que Nóbrega chegou a ser alvo da CPI da Saúde. “Quero saber quem o Rollemberg vai arrumar agora para ser o operador dele. O governador arrumou aquele escândalo contra os deputados para esconder as irregularidades desse Marcello. Tentamos indiciá-lo, mas ele sequer foi investigado”, critica.

Delmasso se defende
Após a divulgação da operação da Polícia Civil, o deputado distrital Rodrigo Delmasso (PRB) disse ter procurado a Delegacia Especial de Repressão aos Crimes contra a Administração Pública (Decap) para saber se seu nome foi usado em algum momento durante os supostos crimes.

Dois dos envolvidos na operação deflagrada nesta terça (7) trabalharam para ele durante o mandato: Fernando Messina deixou o gabinete em abril de 2018. Hermano Carvalho foi exonerado na manhã desta terça (7).

“O delegado me disse que não poderia me passar nenhuma informação por eu não ser parte nas investigações nem interessado. Mas me coloquei à disposição para dar qualquer esclarecimento necessário a fim de ajudar a elucidar o caso”, afirmou Delmasso.

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