Após operação policial, GDF suspende processo de ampliação de shopping

PCDF e MPDFT investigam irregularidades nos procedimentos que beneficiariam centro comercial do Lago Norte

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atualizado 10/08/2018 3:45

Após a deflagração da Operação (12:26), da Polícia Civil e do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), nesta terça-feira (7/8), para apurar suposto tráfico de influência no Palácio do Buriti, o governo decidiu interromper processo que tratava da ampliação e mudança de destinação de terrenos de centros comerciais da cidade. As investigações atingiram o núcleo da gestão de Rodrigo Rollemberg e colocaram em suspeição as discussões sobre o tema.

A operação chegou até Marcelo Carvalho de Oliveira, ex-executivo do grupo Paulo Octávio, um dos donos do Shopping Iguatemi. A polícia investiga irregularidades nos procedimentos que visavam a ampliação do empreendimento, localizado no Lago Norte.

De acordo com a PCDF, representantes do centro comercial estiveram no Buriti duas vezes, entre 2016 e 2017, para tentar aumentar a área utilizada, mesmo em desacordo com a Lei de Uso e Ocupação do Solo (Luos).

O processo sobre o uso de terrenos de shoppings tramita, desde dezembro de 2016, na Secretaria de Gestão de Territórios e Habitação. Em coletiva realizada na tarde desta terça, o secretário da pasta, Thiago Andrade, disse que o sobrestamento é uma “medida de precaução”.

Caio Barbieri/Metrópoles
Segundo secretário Thiago Teixeira, suspensão do processo é uma “medida de precaução”

O secretário confirmou ter se encontrado oficialmente com representantes do Iguatemi, mas negou ter havido interferências a favor do empreendimento. Ele frisou, ainda, que não é competência exclusiva do Executivo a aprovação do aumento do uso econômico do lote. “Tudo sobre essa questão precisa ser aprovado pela Câmara Legislativa”, disse.

Ampliação
Desde 2016, o grupo investe no governo local a fim de conseguir ampliar a área de potencial construtivo do shopping de luxo. O objetivo era triplicar a regra atual, que é de 0,5. Com a rejeição por parte da pasta, o Iguatemi voltou a solicitar, em 2017, o dobro, ou seja, 1,0. Com mais uma objeção do GDF, o representantes da empresa fizeram um documento comparativo com a situação de outros shoppings da cidade.

Segundo o Thiago Teixeira, tecnicamente foi visto que havia diferenças e, por isso, apresentaria a proposta de modificação para a Câmara Legislativa de 0,5 para 0,7 do potencial construtivo. Com a decisão desta terça-feira, contudo, o processo ficará parado até o fim das investigações.

Operação
A Operação (12:26) investiga denúncia de tráfico de influência e advocacia administrativa envolvendo integrantes do GDF. Foram cumpridos 15 mandados de busca e apreensão, em Brasília e em São Paulo, autorizados pela 4ª Vara Criminal de Brasília.

Entre os alvos, estão o assessor especial da Casa Civil Marcello Nóbrega; o administrador do Lago Norte, Marcos Woortmann; Leonardo Rocha de Almeida Abreu, irmão do chefe de Gabinete da Casa Civil, Guilherme Rocha de Almeida Abreu; Luiz Fernando Messina, ex-assessor do deputado distrital Rodrigo Delmasso (PRB); e Hermano Gonçalves de Souza Carvalho, ex-secretário de Desenvolvimento Econômico da gestão de Agnelo Queiroz (PT) e até pela manhã lotado no gabinete de Delmasso.

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