Manifestantes prometem “lavar” a corrupção da CLDF neste domingo

Com macas, representando os pacientes que morreram por falta de leitos na UTI, e munidos com baldes, rodos e vassouras, os manifestantes prometem limpar a Câmara Legislativa do DF

atualizado

metropoles.com

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1 de 1 uber, câmara Legislativa - Foto: Michael Melo/Metrópoles

Uma manifestação, marcada para a manhã deste domingo (28/8), vai aumentar a pressão sobre os deputados e servidores suspeitos de cobrarem propina em repasses da Secretaria de Saúde — escândalo que teve início após a divulgação de gravações feitas pela distrital Liliane Roriz (PTB).

Com macas, representando os pacientes que morreram por falta de leitos na UTI, e munidos com baldes, rodos e vassouras, os manifestantes prometem lavar a Câmara Legislativa do DF contra a corrupção. O ato também foi feito por estudantes na última quarta-feira (24).

O servidor público e presidente da Associação Brasiliense de Amparo ao Fibrocístico (ABRAFC), Fernando Gomide, organizador do ato, lembrou que desde novembro os pacientes estão sem os medicamentos de fibrose cística e relacionou o caos na saúde com os casos de corrupção na capital.

“Em todos os hospitais que vamos falta algum medicamento e também materiais básicos. A população precisa se movimentar, mostrar o rosto. Nossos familiares, filhos, morrem por conta do descaso dos deputados e do governo que só pensam em desviar verbas”, disse Gomide.

Não adianta reclamar no sofá, gritar no Twitter, soltar o verbo no Snapchat e até fazer movimento no WhatsApp. É preciso voltar para as ruas e cobrar respeito e transparência com o dinheiro público, pois a imagem de Brasília e a história construída pelo visionário Juscelino Kubitschek, que hoje estaria envergonhado por tanta obstrução do nome da capital do país.

Fernando Gomide

Três macas serão posicionadas na porta de entrada da Câmara. Elas levarão os nomes de pacientes que morreram por falta de cirurgias, leitos na UTI e medicamentos. Na manifestação, familiares das vítimas também levarão cartazes apoiando as investigações do Ministério Público. Fernando Gomide estima que compareçam de 200 a 300 pessoas no ato.

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A ação deve receber, ainda, o apoio de representantes da entidade Adote um Distrital. “Apoiamos essas inciativas. Pretendemos também fazer uma manifestação nas próximas semanas a depender do andamento do processo”, explicou o coordenador Calebe Cerqueira.

O movimento Adote um Distrital, Observatório Social e Auditar protocolaram, na quinta-feira (25/8), representações pedindo a cassação da presidente afastada da Câmara Legislativa, Celina Leão (PPS), e dos demais integrantes da Mesa Diretora como os deputados Julio Cesar (PRB), Bispo Renato (PR) e Raimundo Ribeiro (PPS). E também de Cristiano Araújo (PSD), que não integra o colegiado, mas teve seu nome envolvido nos grampos.

Falta de medicamentos
A abertura do crédito suplementar foi autorizada pelo Decreto 37.478, publicado em 13 de julho, no Diário Oficial do DF. Através dele, Rollemberg cancelou R$ 9.825.467, destinados à aquisição de medicamentos. Também retirou a previsão orçamentária para a manutenção de máquinas e equipamentos hospitalares. A manobra ocorreu para que o Executivo destinasse os R$ 22.846.383 para o pagamento dos contratos de vigilância e limpeza da Secretaria de Saúde do DF. Os funcionários responsáveis por esses serviços estavam em greve e retomaram as atividades após receberem o salário.

O Metrópoles apurou que a Secretaria de Saúde não tem dinheiro de reserva para repor o estoque de remédios, caso seja necessário fazer alguma compra. Da mesma forma, a situação ocorre com a manutenção de equipamentos.

Atualmente, há pelo menos 51 tipos de medicamentos em falta no estoque da Secretaria de Saúde. Segundo a pasta, do total de 835 substâncias oferecidas, há 784 disponíveis. A secretaria não divulga a lista dos que estão sem estoque sob a justificativa de que “ela é formatada em linguagem técnica”.

 

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