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O presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), disse desconhecer o inquérito aberto pela Polícia Federal sobre o seu futuro ministro da Economia, Paulo Guedes. Após participar de uma formatura de cadetes aspirantes a oficial do Exército, na Academia Militar das Agulhas Negras (Aman), em Resende, no sul fluminense, ele respondeu com irritação à questão.

“Desconheço investigação sobre Paulo Guedes. Eu integro o Poder Legislativo e integrarei o Executivo. Isso compete ao Judiciário”, respondeu.

A Polícia Federal analisa se Guedes cometeu irregularidades na gestão financeira de fundos de investimento. Ele é suspeito de crimes de gestão fraudulenta ou temerária ao captar, por meio de um fundo de investimentos, recursos de sete entidades de previdência complementar de empregados de empresas públicas. Também será averiguada a hipótese de emissão e negociação de títulos sem lastros ou garantias suficientes.

Bolsonaro também comparou o caso com o processo aberto contra ele no Supremo Tribunal Federal (STF) por apologia ao crime de estupro e injúria. O processo foi aberto após o presidente eleito ter dito que a deputada Maria do Rosário (PT-RS) não merecia ser estuprada porque ele disse que a considera “muito feia” e “não faz seu tipo”.

“Eu sou réu no STF, e daí? Vão me questionar agora? Eu defendi uma condenação para estuprador e acabei sendo réu no processo. É justo isso? O povo entendeu que era uma injustiça que estavam fazendo comigo, tanto é que votou em mim”, alegou.

O presidente eleito, no entanto, afirmou que qualquer robustez em denúncias contra ministros levará ao afastamento, “independentemente de quem seja”.

Bolsonaro disse também que fará o máximo possível para que não haja o contingenciamento de verbas para as Forças Armadas. “O que eu e muita gente entendemos é que Forças Armadas não é despesa, é investimento”, declarou.