Ibaneis Rocha divulga carta aberta à CLDF com pedido de desculpas

Governador buscou pôr fim ao mal-estar criado após discussão com o deputado Fábio Felix por causa da gestão compartilhada nas escolas

DANIEL FERREIRA/METRÓPOLESDANIEL FERREIRA/METRÓPOLES

atualizado 20/08/2019 14:44

A discussão entre o governador Ibaneis Rocha (MDB) e o distrital Fábio Felix (PSol) sobre a gestão compartilhada nas escolas ganhou mais um capítulo. O emedebista divulgou, nesta terça-feira (20/08/2019), uma carta aberta à Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) para pedir desculpas aos deputados pelo ocorrido.

Ibaneis tinha ido à sede do Legislativo local, na segunda-feira (19/08/2019), a fim de protocolar o projeto de criação da Secretaria Extraordinária da Pessoa com Deficiência. No entanto, se disse surpreendido pelos questionamentos formulados pelo presidente da CLDF, Rafael Prudente (MDB), e o representante do PSol sobre o processo de militarização das unidades de ensino.

“Por considerar que a ocasião era imprópria para a discussão do tema, e após diversas declarações públicas sobre a matéria, reafirmei meu posicionamento de forma, possivelmente, inadequada, destacando que eventuais alterações na condução do assunto deveriam ser explicitadas em legislação precisa e clara”, pontou o governador na carta.

Classificado como “pequeno incidente” pelo emedebista, o bate-boca filmado (veja abaixo) nessa segunda-feira (19/08/2019) foi mal visto por alguns membros da Casa, que cogitaram obstruir a pauta de votações. Diante disso, a atitude do governador é vista como uma tentativa de pôr fim ao mal-estar.

“Reiterando minha absoluta disposição ao debate com a egrégia Câmara Legislativa acerca de quaisquer assuntos concernentes à atuação do Governo do Distrito Federal, ressalto que já entrei em contato com o deputado Fábio Felix a fim de esclarecer o posicionamento do GDF e enfatizar a disposição para construir alternativas negociadas.”

Veja a carta aberta:

Carta Aberta do governador … by Metropoles on Scribd

Esquerdismos

A reação na CLDF aconteceu depois de Ibaneis dizer que iria manter a decisão de implementar a gestão compartilhada com a Polícia Militar nas escolas que rejeitaram o novo modelo. “Chega de esquerdismos, chega de esquerdopatas… Se quiserem suspender, que vão à Justiça”, afirmou o governador, na segunda-feira (19/08/2019).

Ao Metrópoles, o chefe do Executivo local antecipou, no domingo (18/08/2019), que implementaria o novo modelo mesmo com a derrota no pleito, realizado no sábado (17/08/2019). As comunidades escolares do Gisno (Asa Norte) e do Centro de Ensino Fundamental (CEF) 407 de Samambaia disseram não à militarização: “Fizemos os estudos, todos os indicadores demonstram que o novo modelo vai melhorar a condição das escolas. Por isso, vou implementar a medida. Na legislação, observamos que a votação tem efeito apenas consultivo, e não vinculante. Nossa área jurídica já está preparando os pareceres que vão amparar a implementação”.

As declarações foram dadas no início da tarde desta segunda (19/08/2019), durante solenidade de entrega de cadeiras de rodas no Hospital da Criança. Em seguida, ele foi à Câmara Legislativa entregar aos distritais projeto de lei para criar a Secretaria da Pessoa com Deficiência. Na Casa, acabou abordado por parlamentares contrários à implementação da gestão compartilhada em escolas que rejeitem o modelo.

“O governo federal está implementando escolas militarizadas. E eu não vi ninguém do PT ser contra”, afirmou Ibaneis. O clima esquentou entre ele e Fábio Felix (PSol), que insistiu em debater o assunto com o chefe do Executivo local. Ambos começaram a discutir (veja vídeo abaixo).

Félix perguntou se o GDF não poderia adotar o novo modelo em outras escolas que não fossem aquelas que haviam rejeitado a proposta. O emedebista ficou irritado e se levantou. “Vocês não cumpriram o acordo”, disparou, em referência à polêmica sobre a suposta interferência do Sinpro na eleição do Gisno, na Asa Norte.

Na interpretação de Félix, não é uma questão de direita ou esquerda, mas de desrespeito a uma posição da maioria das comunidades escolares, que rejeitou o modelo: “Repudio a postura do governador. Ele foi desrespeitoso não comigo, mas com a Casa”.

 

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