Da OAB ao GDF. Ibaneis aposta em bacharéis em direito para nova gestão

Dos 20 nomes escolhidos até agora pelo ex-presidente da OAB-DF, 16 têm formação na área jurídica

atualizado 20/11/2018 14:53

Kacio Pacheco/Metrópoles

Os recentes anúncios feitos pelo governador eleito Ibaneis Rocha (MDB) para o primeiro escalão do Governo do Distrito Federal (GDF), a partir de 1º de janeiro de 2019, mostram que mais da metade do futuro secretariado tem origem na carreira jurídica – área de formação do emedebista. Dos 20 nomes confirmados até agora, pelo menos 16 terminaram o curso de direito.

Ibaneis foi presidente da Ordem dos Advogados do Brasil Seccional do Distrito Federal (OAB-DF) e tem fortes ligações com a classe. Outra característica do grupo formado por ele é a relação com o governo federal, uma vez que pelo menos três nomes confirmados deixarão a Esplanada dos Ministérios para ocupar postos no Palácio do Buriti.

O advogado busca nomear secretários com experiência nas áreas de atuação das pastas que irão comandar e que tragam no passaporte o carimbo da força de indicações políticas. Com um grande número de partidos e entidades civis para contemplar – 22 legendas o apoiaram na eleição –, o próximo governador demonstra estar disposto a atender os pedidos de aliados, contanto que os indicados tenham o perfil técnico necessário.

José Sarney Filho (PV), que ocupará a Secretaria do Meio Ambiente, é deputado federal e foi ministro da área nos governos de Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e Michel Temer (MDB). O próximo chefe da Casa Civil, Eumar Novacki, é secretário-executivo do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e ligado ao ministro Blairo Maggi (PP), ex-governador do Mato Grosso. Da mesma forma, Gustavo Rocha, que ocupará a pasta da Justiça, é ministro dos Direitos Humanos e subchefe da Casa Civil da Presidência da República.

Mesmo sem ocupar formalmente cargos na Esplanada, o futuro presidente da Companhia Energética de Brasília (CEB), Wandermilson Garcêz Azevedo, foi secretário extraordinário da Representação do Governo do Amapá em Brasília. Ele é filho de Wanderley Ferreira de Azevedo, um dos principais assessores do ex-presidente José Sarney (MDB).

Experiência
Embora tenha um perfil técnico, o novo secretário da Fazenda, André Clemente, carrega na bagagem experiências políticas. Formado em direito pela Universidade Católica de Brasília, já integrou governos de José Roberto Arruda (PR), Paulo Octávio (PP) e Rogério Rosso (PSD). Ele trabalhou também com o deputado federal e senador eleito Izalci Lucas (PSDB).

Escolhido para comandar a Segurança, o delegado da Polícia Federal Anderson Gustavo Torres ocupava o cargo de chefe de gabinete do deputado federal Fernando Francischini (PSL-PR), aliado do presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL). Anderson foi papiloscopista da Polícia Civil do DF e diretor parlamentar da Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF).

A presidente regional do MDB Mulher, Éricka Filippelli, chefiará a Secretaria da Mulher. Com formação em publicidade, ela chega ao novo governo com as bênçãos do sogro, Tadeu Filippelli (MDB) – presidente regional da legenda de Ibaneis. Nas últimas eleições, Éricka concorreu a uma vaga de distrital, mas acabou não sendo eleita, com 4.285 votos.

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Equipe a definir
Embora já tenha definido 20 nomes do primeiro escalão, Ibaneis ainda tem muitos cargos de chefia a preencher. Na atual estrutura, há 21 secretarias, cinco órgãos especializados e 31 regiões administrativas (RAs). A quantidade de pastas pode crescer, uma vez que o emedebista manifestou desejo de criar novos órgãos, embora com quadros de funcionários mais enxutos. Além disso, é prerrogativa do chefe do Executivo local a nomeação do comando das 27 instituições da administração indireta, entre fundações, autarquias, empresas públicas e sociedades de economia mista.

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