Polícia Civil prende criminoso que impunha “lei do silêncio” no DF
Grupo colocava usuários de crack de classe média em hotéis e usava seus carros para cometer crimes em Ceilândia
atualizado
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O último dos três líderes de um grupo acusado de impor toque de recolher e “lei do silêncio” na QNN 3 de Ceilândia Norte foi capturado na manhã desta quinta-feira (28/3). Gabriel Brito da Silva, 20 anos, conhecido como Tolete, foi preso pela Polícia Civil por suspeita de participação em homicídios, tráfico de drogas e vários crimes violentos.
Conforme o chefe da 15ª Delegacia de Polícia (Ceilândia Centro), Antônio Dimitrov, a ação neutraliza as atividades da gangue na região. “São donos de pontos de tráfico e perigosíssimos. Fomos conseguindo a expedição dos mandados e já vínhamos prendendo esse pessoal há algum tempo”, relata.
Os outros cabeças do grupo – Lucas Pereira de Sousa, 19, o Maizena, e Erick Roberto Diniz de Oliveira, 21, o Leite – também foram presos neste mês. “A ficha criminal deles é imensa desde a adolescência. No início do ano, o Leite chegou do Setor O, se associou a eles, o que piorou a situação no local”, explica Dimitrov.
Entre os crimes atribuídos ao grupo pela Polícia Civil do DF (PCDF), está a coação e perseguição a testemunhas e parentes das pessoas mortas por eles. Há duas semanas, teriam incendiado o carro de familiares de uma vítima para evitar uma delação.
Eles também tinham o costume de filtrar a chegada de moradores à quadra depois das 18h, ainda de acordo com os investigadores. “Muitas vezes, determinavam que os habitantes baixassem o farol e ligassem a luz interna para serem identificados”, conta o delegado.
Outra característica do bando era usar os veículos de usuários de crack de classe média. O titular da 15ª DP afirma que eles deixavam os viciados em um hotel da região consumindo drogas por até quatro dias. Enquanto isso, pegavam o carro dos jovens e cometiam crimes pela cidade.
Peixe pequeno
Apesar da periculosidade, Dimitrov classifica os suspeitos como “pés de chinelo com poder de fogo imenso”. O policial explica que não havia uma organização clara nas atividades e confessa ter se surpreendido com o arsenal apreendido. “Foram quatro armas de fogo achadas com eles, sendo uma de difícil acesso no mercado – uma pistola Glock 9 milímetros, que tinha seletor de rajada e carregador de 30 porções. Não se compra em qualquer lugar”, detalha.
Esse tipo de armamento é superior ao que um policial costuma portar. “Eram perigosíssimos. Certamente, eles têm contatos com pessoas em condições de arrumar armas desse tipo”, deduz.
