Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
Distrito Federal

Polêmica em SP, foto de candidato com boné em urna já foi questão no DF

TRE de São Paulo discutiu se boné era mero “elemento cênico”, o que é proibido em foto de urna, ou objeto de elemento étnico e cultural

13/09/2022 16:51
Compartilhar notícia
Polêmica em SP, foto de candidato com boné em urna já foi questão no DF
Polêmica em SP, foto de candidato com boné em urna já foi questão no DF

O Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) abriu um amplo debate jurídico, e até cultural, motivado por um boné. O caso começou após o candidato a deputado federal Douglas Belchior (PT-SP) enviar uma foto para a urna usando o acessório, o que, no entendimento inicial do órgão, seria ilegal. Porém, após recursos e aval do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o boné foi entendido como elemento étnico e cultural e acabou sendo liberado. O item também chegou a ser discutido no Distrito Federal.

Douglas Belchior registrou a candidatura à Câmara dos Deputados anexando, entre os documentos, a foto com o boné. A Justiça Eleitoral barrou o uso da imagem, alegando que a legislação não permite esse tipo de acessório. O texto usado para embasar a decisão é a Resolução do TSE nº 23.609/19. Ela diz que a foto precisa cumprir uma série de requisitos.

São eles: ser um registro frontal, com trajes adequados para fotografia oficial, sem utilização de elementos cênicos e de outros adornos. Na primeira visão do TRE-SP, o boné estava ali como um “elemento cênico”. Porém, o texto permite o uso de “indumentária e pintura corporal étnicas”, e o candidato entrou com o recurso.

O TSE acatou, entendendo “a assertiva de que a utilização do acessório pelo candidato, que tem origem afrodescendente e é engajado na cultura rapper, está diretamente ligada à sua própria imagem perante o eleitorado, o que, em princípio, pode ser considerado elemento étnico e cultural, que se enquadra no permissivo legal”, como destacou o ministro Sérgio Banhos, na decisão.

Douglas Belchior, candidato autorizado a usar boné na foto das urnas pelo TSE

No Distrito Federal, o candidato a deputado distrital Max Maciel (Psol) também apresentou foto usando boné. No julgamento, o TRE-DF solicitou uma nova imagem, citando a resolução com as regras e levantando a observação: “O candidato aparece na fotografia usando boné, adorno, salvo melhor juízo, vedado”.

Mas o postulante à Câmara Legislativa já havia enviado uma foto semelhante em 2018, com o acessório, e não enfrentou problemas. “Então, mandamos uma nova, mas ainda com boné, e a candidatura foi deferida, está tudo certo. O boné faz parte da nossa expressão, como o turbante. Representa de onde a gente veio, até porque antes quem usava era chamado de ‘peba’, mas não é um mero enfeite, é parte da identidade”, disse, à reportagem.

Com as últimas decisões, o TSE cria o entendimento de que o acessório pode ser usado na foto de urna, desde que cumpra os outros requisitos básicos, como não atrapalhar a visualização do rosto do candidato.

Receba no seu email as notícias de Metrópoles DF

Frequência de envio: Diário

Ver todas as newsletters