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Distrito Federal

"PMDF vai parar": sem redução do interstício, militares espalham faixas de protesto

Os registros foram feitos nesta sexta-feira (18/12) na Estrada parque Taguatinga (EPTG), Ceilândia e Núcleo Bandeirante

18/12/2020 11:34, atualizado 18/12/2020 16:16
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Rafaela Felicciano/Metrópoles
“PMDF vai parar”: sem redução do interstício, militares espalham faixas de protesto

As ruas de algumas regiões do Distrito Federal amanheceram com faixas de protesto. Policiais militares ameaçam fazer a chamada Operação Legalidade, quando os militares respeitam a velocidade máxima das vias, respeitam as sinalizações e, com isso, levam mais tempo para atender as ocorrências. O movimento também é conhecido como operação tartaruga. Os registros foram feitos nesta sexta-feira (18/12) na Estrada parque Taguatinga (EPTG), Ceilândia e Núcleo Bandeirante.

Os militares aguardavam, até este mês, um aceno positivo do Governo do DF (GDF) para a redução do interstício – tempo entre as promoções – e a consequente progressão na carreira. Caso ocorresse em 2020, pelo menos 2.181 praças, entre soldados, cabos e sargentos, ganhariam novas patentes.

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"PMDF vai parar",diz a faixa
Faixas foram espalhadas pelo DF
Policiais ameaçam fazer operação tartaruga
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Manifestação em frente ao Buriti
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Manifestação em frente ao Buriti

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Arquivo pessoal
Faixas foram espalhadas pelo DF
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Policiais ameaçam fazer operação tartaruga
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Policiais ameaçam fazer operação tartaruga

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Com a negativa, policiais insatisfeitos seguem ameaçando tirar o pé do acelerador durante o atendimento de ocorrências. O Metrópoles teve acesso ao conteúdo de conversas travadas em grupos fechados de WhatsApp, em que militares demonstram insatisfação com o cenário e prometem seguir para as ocorrências apenas na velocidade da via.

Em vários grupos, os combatentes questionam a viabilidade necessária para conceder a redução de interstício. As promoções gerariam impacto financeiro de R$ 124 milhões ao Palácio do Buriti, mas serviriam, na avaliação dos militares ouvidos pela reportagem, como combustível para manter a tendência de queda em boa parte dos índices de criminalidade registrados nas 32 regiões administrativas do DF.

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Sem abordagem

Atuando na ponta da aplicação do policiamento ostensivo, integrantes das unidades especializadas nutrem o mesmo sentimento de frustração pela falta das promoções. “O descontentamento é geral e a atitude é a mesma em quase todos os batalhões. As abordagens, que muitas vezes resultam na apreensão de armas e drogas, irão se tornar cada vez mais escassas”, ameaçou um dos policiais ouvidos pela reportagem.

Os praças da PM questionam que colegas chegaram a permanecer por até 18 anos na mesma graduação sem alcançar a progressão na carreira. Quando a promoção ocorre de soldado para cabo, o aumento no contracheque se restringe a R$ 160 líquidos. Vários militares ouvidos pelo Metrópoles reclamaram da situação e compararam a realidade da PMDF à de outras forças de segurança, como o Corpo de Bombeiros e a Polícia Civil (PCDF).

Em 13 anos, um agente da PCDF alcança o topo da carreira, enquanto um bombeiro militar recebe a primeira promoção em nove meses. “Em 10 anos, a maioria das carreiras do GDF já atingiu pelo menos 50% da progressão funcional, sendo que a Polícia Civil, quase 100%”, afirmou um dos PMs.

Procurada, a Caserna, associação regulamentada que reúne os praças da PMDF, ressalta que a corporação, entre todas as forças de segurança do DF, é a única que não possui regramentos justos de promoção. A entidade, inclusive, não defende a operação tartaruga. “Nos demais órgãos, antes mesmo de entrar, o agente público já sabe quando ocupará o último posto de sua carreira. Na PM, principalmente com relação aos praças, em sua grande maioria, nunca se chega ao topo da pirâmide. Muitos se aposentam como terceiro-sargento”, disse o presidente em exercício da entidade,  Carlos Victor Fernandes Vitório.

Segundo Vitório, neste ano, mesmo com parecer positivo dos órgãos constitucionais, os gestores têm utilizado a argumentação de que é impossível reduzir o interstício. “O policial militar, desde o momento inicial da pandemia, sem se acovardar, foi pro fronte de batalha, mesmo sem a testagem devida da Covid-19. Vidas militares e de seus pares foram perdidas por ocasião da doença. Mesmo com tamanho sacrifício, ao que parece, há tendência ao não oferecimento de dignidade humana, por meio da redução do interstício”, reclamou.

A reportagem procurou o Comando-Geral da PMDF para que se posicionasse sobre a viabilidade da redução de interstício, mas até a última atualização desta reportagem, a corporação não havia se manifestado.

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