Pessoas em situação de rua reclamam que tiveram pertences levados durante operação no SCS

De acordo com relatos obtidos pelo Metrópoles, as pessoas ficaram apenas com as vestes do corpo, pois documentos e roupas foram levados

atualizado 28/07/2021 15:30

Reprodução

Uma operação com o intuito de diminuir entulhos acumulados por pessoas em situação de rua instaladas no Setor Comercial Sul terminou em confusão nesta quarta-feira (28/7), na Asa Sul. Segundo os moradores, durante a ação, além de os entulhos serem removidos, os bens pessoais também foram tomados.

De acordo com relatos obtidos pelo Metrópoles, as pessoas que foram alvo da operação ficaram apenas com as vestes do corpo, pois documentos e roupas foram levados.

“Ninguém quer estar aqui na rua. Eu entreguei vários currículos, fui chamado para entrevista, compareci, mas não consegui emprego devido à situação de rua”, declarou um dos moradores, durante a operação.

Revoltado com a situação, o grupo ateou fogo em objetos na rua localizada entre as quadras 4 e 5. O Corpo de Bombeiros divulgou que os itens já foram retirados minutos depois.

Um dos moradores do local atingidos pela ação, Glauber de Souza Junior disse que a população em situação de rua incendiou os objetos como forma de protesto. “Aqui é uma família. Nós somos uma família de rua. Então, nós não podemos ser tratados desse jeito. A gente tem o direito de viver e sobreviver. Só que o Estado, no momento, não está fazendo nada por nós”, assinalou.

Procurado pelo Metrópoles, o DF Legal se pronunciou por meio de nota. Segundo a pasta, a ação foi deflagrada na intenção de desobstruir as passagens de pedestres, galerias e frente dos comércios no local. “O espaço estava impedido de funcionar, inclusive durante o dia, devido à ocupação de pessoas em situação de rua, e não apenas durante o pernoite”, disse.

A secretaria disse, ainda que a operação “visa atender a um pedido da comunidade dessas regiões, trabalhadores e do setor produtivo”. Segundo a pasta, “pertences pessoais não estão sendo retidos ou apreendidos”, ao contrário do relatado pelos moradores.

A Polícia Militar, que estava apoiando a operação, disse que divulgaria informações ainda na tarde desta quarta-feira (28/7).

Ian Viana, presidente do Instituto No Setor, uma organização não governamental (ONG) que atua para garantir o direito à dignidade de pessoas em situação de rua no Setor Comercial Sul, diz que, assim que ficou sabendo da ação desta quarta-feira, dirigiu-se ao local.

 “Sabemos que o Estado tende a ser truculento com essas pessoas e nós fomos lá para acalmar os ânimos. A ação contrariou uma determinação do Ministério Público, com tomada de pertences pessoais, como cobertores e panelas. Estamos preparando uma nova ação para denunciar isso. Vamos acionar judicialmente os responsáveis”, afirmou.

O Instituto No Setor ocupa o SCS há três anos, com atividades de cultura, turismo, meio ambiente e ações sociais, promovendo, principalmente, o fortalecimento de vínculos e o incentivo ao trabalho com os moradores de rua.

Desde o início da pandemia, no entanto, o trabalho da ONG ficou focado nas campanhas de doações de alimentos e produtos, na manutenção do banheiro público na quadra 5 do Setor Comercial Sul e na criação de um sistema de informações dos moradores.

“A gente faz rodas de conversas e atividades de criação de vínculo. Nós integramos as pessoas em ações como a horta comunitária no local”, detalhou Ian.

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