Pesquisa indica que 20% dos alunos da UnB e familiares já tiveram Covid-19

Taxa de infecção entre técnicos da universidade e seus familiares foi a mesma. Para a UnB, a alta taxa de infecção é alarmante

atualizado 04/03/2021 17:53

UnBRafaela Felicciano/Metrópoles

A pandemia infectou, aproximadamente, 20% dos alunos da Universidade de Brasília (UnB) e seus familiares. Ou seja, um em cada cinco estudantes sofreu diretamente as consequências do novo coronavírus, tendo sido infectado ou possuindo algum parente diagnosticado com a Covid-19.

O contágio dos estudantes foi revelado nesta quinta-feira (4/3), na divulgação da 2ª pesquisa social da UnB, durante reunião do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Cepe). Segundo o estudo, grande parte dos alunos da universidade ainda vive com os pais.

“É uma população que teve uma taxa de contaminação alta. É muito dependente de transporte público coletivo, por períodos longos de duração”, explicou o professor Lúcio Rennó, diretor do Instituto de Ciência Política e presidente do subcomitê de pesquisa social do Comitê de Coordenação das Ações de Recuperação da UnB.

Conforme o estudo, 59,9% dos estudantes usa transporte público coletivo para chegar até a UnB.

Técnicos e professores

No caso dos técnicos da UnB, a percentual de infectados diretamente, ou entre familiares, é de aproximadamente 21%.  Em relação aos professores e seus familiares, a taxa ficou em 13%.

Na análise de Rennó, os dados são “alarmantes e preocupantes” revelam a necessidade muita “cautela” na definição dos próximos passos da UnB para recuperação, especialmente na questão das aulas e atividades presenciais.

A UnB adotou aulas remotas, com raras exceções, justamente para evitar o agravamento da pandemia entre a comunidade acadêmica. Ou seja, se houvesse aulas presenciais, o quadro poderia ser ainda pior.

“Tem uma indecência à exposição à Covid-19, principalmente entre no corpo discente”, alertou Rennó. Segundo o estudo, 50% dos alunos dependem do Sistema Único de Saúde (SUS). E, atualmente, a rede pública opera no limite devido ao avanço da pandemia e a falta de leitos de unidade de tratamento intensivo (UTI) para Covid-19.

Lockdown

Para frear a pandemia, o Governo do Distrito Federal (GDF) decretou lockdown. A própria UnB também adotou medidas, a exemplo da suspensão das provas do Programa de Avaliação Seriada (PAS). Rennó destacou que o ritmo do processo de vacinação contra a Covid-19 ainda é tímido diante do avanço de casos.

Diante dos impactos gerados pelo avanço da pandemia, UnB estuda uma nova revisão do calendário acadêmico. A proposta é postergar por pelo menos três semanas o início do 1º semestre de 2021, incialmente previsto para 28 de junho. As aulas retornariam em 19 de julho. A questão ainda está em estudo.

A pesquisa também identificou que 22% dos discentes receberam integralmente o auxílio oferecido pelo governo federal para sobreviver durante a pandemia. Outros 18,4% foram beneficiados por alguma parcela.

Segundo o vice-reitor da UnB, Enrique Huelva, a universidade tem o objetivo de retomar o ensino presencial, mas apenas quando houver segurança para a comunidade acadêmica.

Testes

No caso dos estudantes, 36,2% deles e familiares fizeram o teste para o novo coronavírus. Desses, 63,9% testaram positivo. Entre os técnicos e familiares, 33,1% passaram pela testagem. Deste total, 60,2% foram diagnosticados com a doença. Aproximadamente, 29,5% dos professores e familiares foram testados. Desses, 41,7% estavam infectados.

Universo

A pesquisa foi respondida por 4.946 estudantes, equivalentes a 12,5% dos alunos ativos de graduação. Recebeu respostas de 1.868 docentes, iguais a 71,7% do quadro efetivo da universidade. Entre os técnicos, a participação  foi de 38%, com 1.214 respondentes.

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