“Pelo menos, 500 lojas vão fechar de vez no DF”, alerta Fecomércio

Segundo empresários, se não for revertido, novo fechamento do comércio resultará em falência de lojas e desemprego a partir de 1º de abril

atualizado 30/03/2021 23:30

RestauranteRafaela Felicciano/Metrópoles

Caso a decisão judicial pelo novo fechamento do comércio não seja revertida, pelo menos 500 lojas vão fechar as portas em Brasília. A previsão é da Federação do Comércio de Bens e Serviços do Distrito Federal (Fecomércio-DF).

Segundo o presidente da entidade, José Aparecido da Costa Freire, centenas de empresas não têm mais condições financeiras de enfrentar um novo lockdown, como determinado na noite desta terça-feira pela Justiça federal. O governador Ibaneis Rocha (MDB) antecipou ao Metrópoles que recorrerá da decisão.

Desde o começo da pandemia de Covid-19, segundo a Fecomércio-DF, 750 lojas fecharam definitivamente no DF, deixando milhares de trabalhadores desempregados.

“Temos o Domingo de Páscoa. As lojas de chocolates, por exemplo, compraram, estocaram para vender. Elas vão quebrar de vez se não puderem abrir”, alertou José Aparecido da Costa Freire.

Na avaliação de Aparecido, o governador Ibaneis Rocha tem plenas condições de reverter a decisão judicial. “Eu respeito muito o Judiciário. Mas não pode uma juíza tirar a atribuição de um governador eleito com plena maioria de votos e com os poderes assegurados pelo Supremo Tribunal Federal (STF)“, pontuou. “O governador, a meu ver, é quem tem o direito de mandar fechar ou abrir o comércio”, ressaltou o presidente da Fecomércio.

Demissões em abril

Na avaliação do presidente do Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Brasília (Sindhobar-DF), Jael Antônio da Silva, caso a decisão judicial não for revertida, novas demissões serão feitas pelo setor produtivo a partir de 1º de abril, quando o novo lockdown deverá começar a vigorar, segundo a determinação da Justiça federal.

“Essa decisão foi um absurdo total. Foi de uma falta de responsabilidade imensa. Vai contra nossos interesses, contra a decisão de quem governa. É o Judiciário intervindo no Executivo. E nós ficamos no meio dessa disputa, como joguetes. Nossa responsabilidade, enquanto empresários não é levada em conta”, declarou.

Segundo o dirigente, o setor vem de férias coletivas, mobilizadas enquanto as empresas aguardava a volta do auxílio do governo federal para a manutenção dos empregos. Mas o projeto não saiu do papel. E as empresas precisam voltar a faturar para manter o quadro de pessoal. “Se a decisão não cair, dia 1º começam as demissões”, resumiu Jael Antônio da Silva.

Antes da decisão da Justiça, o setor negociava com o GDF uma flexibilização para a abertura de bares e restaurantes até às 21h e a possibilidade de clientes retirarem refeições pessoalmente dos estabelecimentos após às 19h.

Alívio perdido

Segundo o presidente da Fecomércio, todo o setor do comércio corre o risco quebrar. O modelo de abertura com horários reduzidos, em vigor desde segunda-feira (29/3), representava um alívio e uma esperança. Além disso, grande parte das empresas está com algum tipo de restrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) ou têm empréstimos para pagar. E as parcelas estão vencendo.

“Eu, pessoalmente, ontem fui a dois shoppings. Tinha álcool em gel, medidor de temperatura, máscara, distanciamento social. Visitei lojas de rua nas entrequadras. Todas as medidas sanitárias estavam sendo cumpridas. Fui a restaurantes, em shoppings, e mesas de dois em dois metros, com até seis lugares. Todos os bares estão cumprindo o decreto”, relatou. “Nós sabemos que os hospitais estão cheios. Mas o setor produtivo não é o culpado por essa grande infecção”, desabafou José Aparecido da Costa Freire.

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