PCDF ouve testemunhas e busca câmeras em mercado onde idosa foi acusada de furto

Milta de Jesus sofreu um infarto no último sábado (28/11) após ser apontada como autora do furto de um par de sandálias

atualizado 01/12/2020 14:10

delegaciaMirelle Pinheiro/Metrópoles

Investigadores da 30ª Delegacia de Polícia (São Sebastião) começarão a ouvir os depoimentos do caso envolvendo a aposentada Milta de Jesus Oliveira, 75 anos. A idosa sofreu um infarto no último sábado (28/11), após ter sido acusada de furtar um chinelo no Atacadão Super Adega, no Jardim Botânico. Além da oitiva dos familiares, os policiais também irão ao local dos fatos para falar com funcionários e colher imagens de câmeras de segurança.

Milta é hipertensa, mas controlava a pressão com uso de remédios. Ela passará por cateterismo nesta terça-feira (1º/12), no Hospital Universitário de Brasília (HUB), onde está internada na unidade de terapia intensiva (UTI). De acordo com Sandrine Oliveira, neta da idosa, a avó está lúcida e teve melhora, mas ainda precisa realizar o procedimento para saber qual será o tratamento mais adequado.

“Ela diz se lembrar que o pessoal do hospital cantou parabéns para ela ontem (30/11), porque foi aniversário dela. Está mais tranquila, sendo bem cuidada”, conta. “Agora, ela segue em repouso absoluto. Faz tudo deitada na cama”, diz a neta.

A paciente chegou a ser atendida na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de São Sebastião, mas foi transferida na madrugada de segunda (30/11) para a unidade hospitalar da Universidade de Brasília (UnB). Relatório médico aponta para infarto agudo do miocárdio.

Procurado pelo Metrópoles, o HUB informou que Milta deve realizar o cateterismo até o início desta tarde. Ela já se encontra no serviço de hemodinâmica, onde o procedimento é feito, e aguarda a finalização do atendimento a outro paciente para ser chamada. Ainda conforme a unidade, o estado de saúde da paciente é estável.

A ocorrência foi registrada na Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) como “calúnia” e “crime contra idosos”. De acordo com delegado-chefe adjunto da 30ª DP, Ulysses Fernandes, na tarde desta terça-feira, os familiares da vítima serão formalmente ouvidos na delegacia, bem como serão identificados os funcionários do mercado para que também prestem esclarecimentos.

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Entenda o caso

Antes de sofrer o infarto, a aposentada estava acompanhada de familiares. Quando eles foram passar as compras no caixa, ela foi surpreendida com o comportamento dos funcionários.

“Após passar todas as compras, cujo valor foi mais de R$ 600, em tom de voz alterado e audível para todos os outros clientes que estavam na fila ouvirem, faz-lhe o seguinte questionamento: ‘A senhora vai pagar essas sandália que furtou também?’”, relembrou a neta Grazielle Oliveira.

Nervosa, a aposentada tentou explicar que aquele chinelo que calçava era um presente. Falou que é uma mulher honesta e que nunca furtou ou roubou nada de ninguém. Segundo os familiares, a funcionária do caixa chamou um dos seguranças. A equipe queria que a mulher provasse que as sandálias, da marca Havaianas, não era produto de furto.

“Após ser acusada de furto e todo o escândalo armado pela funcionária do caixa e a grosseria dos seguranças desse atacadão, ela começou a se sentir mal. A pressão subiu. Jamais pensou que nesta idade seria vítima de tamanha injustiça e desrespeito”, completou Grazielle.

Depois da discussão, o gerente do local, segundo relato das testemunhas, se desculpou, afirmando que a idosa era muito parecida com uma suspeita de furtar sandálias no local. Além da Polícia Civil, a família, que mora em São Sebastião, denunciou o caso à ouvidoria da Super Adega. O atacadista adiantou-se em pagar tratamento médico e psicológico para a vítima.

Ao Metrópoles, a equipe jurídica da Super Adega confirmou os fatos e ressaltou que foi oferecido um leito no Hospital Daher ou no Hospital Santa Luzia, mas como surgiu uma vaga na rede pública, a família optou pela transferência para o HUB.

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