PCDF investiga se Marinésio conhecia jovem desaparecida há 3 anos

Segundo os policiais, Yanara Lima tinha amizade com a filha do maníaco e sumiu na região onde ele costumava atacar suas vítimas

Reprodução/Arquivo pessoalReprodução/Arquivo pessoal

atualizado 19/10/2019 9:30

Sigilosa, uma investigação conduzida pela Coordenação de Repressão a Homicídios e de Proteção à Pessoa (CHPP), da Polícia Civil, refaz os últimos passos de uma adolescente de 15 anos apontada como possível vítima do cozinheiro Marinésio dos Santos Olinto, 41. Yanara Lima Gomes desapareceu sem deixar rastros em 20 de fevereiro de 2016. O que a colocou no caminho do maníaco foi a amizade que a menina nutria com a filha dele.

O sumiço da estudante foi registrado ainda em fevereiro daquele ano, na 30ª Delegacia de Polícia (São Sebastião), cidade onde vive a família de Yanara. O caso chamou atenção de policiais que buscavam por ocorrências de desaparecimentos passíveis de se encaixarem no padrão adotado por Marinésio para abordar, atacar e matar as vítimas. Ao contrário dos dois assassinatos confessados por ele, em que os corpos de Genir Pereira de Sousa, 47 anos, e Letícia Curado Sousa, 26, foram localizados, o cadáver de Yanara jamais foi encontrado.

No dia do desaparecimento, a estudante comentou com familiares que seguiria até uma parada de ônibus na Quadra 204 de São Sebastião e pegaria o coletivo em direção ao Plano Piloto, onde encontraria amigos. Quando deixou a casa dos pais, a jovem trajava calça jeans, tênis preto com bolinhas e carregava uma mochila branca e preta. Yanara também usava piercing no nariz. “Dias antes, notei que ela andava bem triste e não me contava o motivo. Mas ela é uma menina muito estudiosa, não andava com pessoas erradas”, disse a irmã da estudante, Yasmin Lima.

Mochila encontrada

Durante as investigações da Polícia Civil, a mochila da estudante foi encontrada, em 23 de fevereiro, jogada em uma rua do Condomínio Quintas da Alvorada, situado na região do Paranoá, onde Marinésio abordou boa parte de suas vítimas. Dentro da mochila recuperada havia peças de roupas e um pendrive.

De acordo com o diretor da CHPP, delegado Vicente Parnaíba, existem indícios que podem ligar o desaparecimento de Yanara ao maníaco. “O fato de a mochila ter sido achada bem distante do local aonde ela disse que iria, e esse local ser onde Marinésio agia, é um ponto de partida para nós continuarmos a apurar o caso”, disse.

Segundo o delegado, as equipes que investigam a situação conseguiram confirmar que a adolescente tinha um laço de amizade com a filha do cozinheiro. “Não podemos dar detalhes sobre as técnicas de investigação que estão sendo usadas, mas sabemos que havia essa amizade entre as duas. A chance de ele ter conhecido Yanara existe”, ressaltou.

Caso Caroline

Além de Yanara, outra adolescente que teria amizade com a filha de Marinésio e foi encontrada morta chegou a ser alvo de apuração da Polícia Civil. O corpo de Caroline Macêdo Santos, 15 anos, foi localizado no Lago Paranoá, em maio de 2018. A jovem morava a 800 metros da casa do cozinheiro, no Vale do Amanhecer. O óbito foi relatado como suicídio pela 6ª Delegacia de Polícia (Paranoá). No entanto, investigadores da 31ª DP (Planaltina) resolveram desarquivar o caso.

O Metrópoles conversou com a mãe de Yanara, Genice Lima de Araújo, sobre os novos indícios apurados pela polícia. Segundo ela, a filha contou que andava chateada porque havia deixado o telefone celular na casa de uma amiga, mas relutava em retornar ao local para buscar o aparelho. “Poucos dias antes de ela desaparecer, a gente conversou sobre esse assunto, e pedi para que ela voltasse para pegar o aparelho, mas ela sempre me enrolava e não ia atrás. Ela nunca me disse o nome dessa amiga, não sei afirmar se era a filha do Marinésio”, explicou Genice.

Antes de parar de dar notícias, Yanara costumava dividir o seu tempo entre os estudos, festas com amigos e o trabalho. Ela vendia açaí em uma banca localizada em um dos estacionamentos da Câmara dos Deputados. “De fato, meses antes de desaparecer, minha filha estava frequentando festas e andando com amigos na região do Paranoá e de Planaltina, por onde Marinésio circulava, e poderia, sim, ter feito amizade com a filha dele”, contou.

Crimes confessados

Marinésio é assassino confesso de duas mulheres. Letícia Curado foi morta por ele no dia 26 de agosto, em Planaltina. Ela sumiu após sair de casa para ir ao trabalho, na Esplanada dos Ministérios. O cozinheiro a pegou na parada de ônibus e depois a estrangulou. O corpo da funcionária terceirizada do Ministério da Educação (MEC) foi achado dentro de uma manilha às margens da DF-250, na mesma região.

Além de Letícia, o cozinheiro também confessou ter tirado a vida de Genir Pereira de Sousa, 47. Desde que o caso envolvendo Letícia veio à tona, 19 mulheres ou familiares de desaparecidas procuraram a Polícia Civil para denunciar Marinésio. A corporação ainda aguarda resultados de exames de DNA para saber se ele tem relação com pelo menos outros sete casos de estupro e assassinato.

Os testes estão sendo realizados a pedido de delegacias que investigam crimes possivelmente ligados ao cozinheiro. Além de material genético do próprio acusado, foram coletadas amostras na Blazer prata usada por ele nos crimes. No fim do mês de agosto, Marinésio foi reconhecido por uma garota de 17 anos e por uma dona de casa de 43. Elas contam terem sido abordadas por ele em paradas de ônibus e estupradas.

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