Parque será criado em região que quase foi usada para “salvar” o BRB
O terreno da Serrinha do Paranoá estava, até o início do mês, na lista dos imóveis públicos cedidos ao BRB
atualizado
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O Parque Distrital da Serrinha, criado a partir de um decreto publicado nesta terça-feira (7/4), está em uma área que seria utilizada para executar ações de capitalização do Banco de Brasília (BRB).
O terreno da Serrinha do Paranoá estava, até o início do mês, na lista dos imóveis cedidos ao banco para captação de recursos, na tentativa de restabelecer as condições econômico-financeiras da instituição, que sofreu prejuízo ao comprar ativos podres do Banco Master, num valor estimado de R$ 12 bilhões.
Ao criar o novo parque natural, a governadora do DF, Celina Leão (PP), disse que o local é uma das áreas mais estratégicas para a segurança hídrica do DF.
“Ali se concentram mais de 60% das nascentes mapeadas, conectando duas importantes unidades hidrográficas, que são o Lago Paranoá e Santa Maria/Torto”, pontuou.
Segundo ela, com a criação do Parque Distrital da Serrinha, o DF “dá um passo firme” na proteção das riquezas naturais. “Garantimos a preservação direta dos córregos Jerivá e Urubu, fundamentais para o abastecimento e o equilíbrio ambiental”, ressaltou.
Conectividade ecológica
O parque, que tem uma área de 65,91 hectares, além de preservar recursos ambientais de relevância ecológica e paisagística, vai permitir atividades como pesquisa científica, educação ambiental, turismo ecológico e recreação em contato com a natureza.
Outro objetivo é garantir a conectividade ecológica entre importantes áreas protegidas do Distrito Federal, como o Parque Nacional de Brasília, além de parques ecológicos e áreas de relevante interesse ambiental na região do Lago Norte.
O decreto também prevê a criação de uma zona de amortecimento com mais de 600 hectares, destinada a reduzir impactos ambientais no entorno do parque e disciplinar o uso do solo em áreas próximas, especialmente em regiões com crescimento urbano.
A gestão do parque ficará sob responsabilidade do Instituto Brasília Ambiental (Ibram), que deverá elaborar o plano de manejo da unidade, no prazo de até dois anos, com participação da comunidade local.
O decreto também estabelece diretrizes para recuperação de áreas degradadas, proteção da fauna e incentivo a atividades como trilhas, ciclismo e educação ambiental, fortalecendo o uso sustentável do espaço.
