Pais levam filhos para casa após boatos de explosão em escola do DF

O caso ocorreu no CEF 27, de Ceilândia, dois dias após aulas serem suspensas no Gisno, na Asa Norte, por causa de ameaças de ataque

SSP/DFSSP/DF

atualizado 20/03/2019 16:46

Dois dias depois de ameaças de ataque ao Gisno feitas por cinco alunos pelas redes sociais, agora é a vez de os pais do Centro de Ensino Fundamental 27 (CEF 27), de Ceilândia, ficarem assustados.  Na manhã desta quarta-feira (20/3), segundo informações da Polícia Militar, eles ficaram receosos de deixarem seus filhos na escola por conta de boatos de que haveria uma explosão na instituição de ensino pública localizada na QNR 1, e levaram as crianças de volta para casa.

Em nota, a Secretaria de Educação informou que a direção do CEF 27 acionou a Polícia Militar após o boato circular pelas redes sociais. Os PMs fizeram uma busca minuciosa e nada encontraram nas dependências da escola.

“Na manhã desta quarta-feira (20), pais e estudantes ficaram assustados devido ao boato e optaram por não deixar as crianças na escola. Por isso, não houve aula no turno da manhã, e haverá reposição. À tarde, as aulas serão normais”, informou a pasta.

Na segunda (18), equipes da Polícia Militar também fizeram varredura no Gisno, na 907 Norte. Também pelas redes sociais, cinco alunos disseram que ocorreria um ataque ao colégio.

O caso é investigado pela Delegacia da Criança e do Adolescente (DCA). Um inquérito será instaurado para apurar a participação de um estudante maior de idade no episódio. Ele responderá por dois crimes: falso alarme e corrupção de menores. Caso seja condenado, ele pode pegar até quatro anos de prisão. Já os quatro adolescentes suspeitos de ameaça no Gisno, além de serem transferidos de colégio, terão o caso encaminhado à Vara da Infância e da Juventude.

Na sexta (15), outro susto. Dessa vez, um professor da Escola de Música invadiu a Secretaria de Educação, no Setor Bancário Norte, armado com uma besta, faca e cinco setas. Após as sucessivas ameaças, o Governo do Distrito Federal (GDF) decidiu, nessa terça-feira (19), reforçar a segurança nos colégios públicos.

Em reunião com os secretários de Educação, Rafael Parente, e de Segurança, Anderson Torres, e a comandante-geral da Polícia Militar, coronel Sheyla Sampaio, o governador Ibaneis Rocha (MDB) decidiu aumentar o contingente policial nas unidades de ensino. Além disso, serão intensificadas as rondas das equipes da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) em torno dos colégios.

“Nos próximos dias, vamos ter entre 150 e 180 policiais militares dentro das escolas. A Inteligência vai definir para onde eles vão e quanto tempo vão ficar em cada local”, afirmou Rafael Parente, após a reunião. A ideia é que em pelo menos 40 escolas consideradas “mais problemáticas” a presença dos policiais seja constante. “Nas demais, haverá um revezamento”, explicou o secretário.

Segundo Parente, haverá também um monitoramento das redes sociais, especialmente para identificar possíveis ameaças. Na avaliação do secretário, a presença do policial na escola é determinante para garantir a segurança nos locais, incluindo a questão de atentados. As regiões com mais problemas no DF são: Gama, Planaltina, Ceilândia e São Sebastião.

Até o momento, a Polícia Civil do DF registrou quatro ocorrências de ameaças de ataques a escolas nas regiões do Recanto das Emas, Paranoá, Águas Claras e Asa Norte. Mensagens propagando ódio e violência divulgadas pelas redes sociais são objetos de investigação por parte da corporação. A maioria das publicações faz referência ao massacre da escola Raul Brasil, em Suzano, na Grande São Paulo, em 13 de março.

Na última sexta-feira (15/3), chegou ao conhecimento dos policiais da 27ª DP (Recanto das Emas) a foto de frases com símbolos nazistas prometendo um ataque a um centro de ensino da região administrativa no dia 20 de março. Uma ocorrência foi registrada, e o caso é investigado pela DP.

Segundo o delegado-chefe da unidade, Pablo Aguiar, é provável que se trate de uma “brincadeira de adolescente”. No entanto, o policial ressalta que qualquer ameaça é investigada. Estudantes de um colégio em São Sebastião também ameaçaram fazer um massacre.

No Gisno, quatro adolescentes e um maior de idade publicaram mensagens com ameaças de bomba e morte em massa na escola. Nada foi encontrado, mas as aulas foram suspensas na segunda (18) e retomadas nessa terça (19), em clima de apreensão.

Confira mensagens postadas pelos estudantes nas redes:

 

Ainda na segunda, no Paranoá, a 6ª Delegacia de Polícia se mobilizou para investigar outras ameaças. “Fomos procurados pela direção da escola. Eles ficaram em pânico com a história de um homem que estava ameaçando fazer um massacre no local semelhante ao de Suzano”, explicou a delegada-chefe da 6ª DP, Jane Klébia.

“Durante as apurações, descobrimos que, em um grupo de WhatsApp, um aluno postou um vídeo portando arma de fogo. Isso gerou os rumores e assustou todos. O caso segue em investigação”, completou a policial. Os administradores do grupo prestaram depoimento e apresentaram a gravação à polícia.

Em Águas Claras, mensagens trocadas por estudantes de uma escola particular causaram preocupação aos pais e professores. A instituição se manifestou por meio de nota, afirmando que a ameaça foi feita por um aluno em um grupo de amigos, mas que o próprio autor se arrependeu e apagou a mensagem logo em seguida.

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