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O Palácio do Buriti resolveu endurecer com os servidores da Companhia Energética de Brasília (CEB), em greve desde segunda-feira (6/11). Por conta do temporal que caiu na madrugada de quarta (8), mais de 2,9 mil pedidos para resolver problemas no fornecimento de energia se acumulam. Moradores e empresários de pelo menos 25 regiões administrativas do DF estão sem energia, alguns há mais de 72 horas. O secretário da Casa Civil, Sérgio Sampaio, classificou o movimento como descabido e retirou a proposta de reajuste oferecida à categoria.

“A postura dos grevistas é algo que nos entristece muito, porque é um movimento oportunista, deflagrado no início da época das chuvas, quando a manutenção se torna essencial”, atacou. De acordo com ele, apenas 30% das equipes de manutenção estão funcionando.

A proposta de reajuste oferecida pelo GDF era de recomposição integral da inflação entre novembro de 2016 e novembro de 2017 e aumento de R$ 150 no vale-refeição, que faria o benefício chegar a R$ 1.218. Mas com a negativa da categoria, o Buriti ajuizou um pedido de dissídio coletivo — quando não há acordo — contra o Sindicato dos Urbanitários (STIU-DF), para assegurar a continuidade da distribuição de energia elétrica.

“Apesar do caráter essencial do serviço em questão, o movimento paredista não assegurou quantitativo mínimo de equipes de trabalho, elevando sobremaneira o número de ocorrências não atendidas no sistema. A situação ostenta gravidade e os números falam por si: nada menos do que 2.944  serviços estavam esperando a atuação de alguma equipe de reparo. Desses serviços, 346 são emergenciais, isto é, colocam em risco a vida de pessoas e o patrimônio público e 1.232 localidades já estão sem energia há mais de 24 horas”, argumentou o GDF.

Ressarcimento
O presidente da CEB, Lener Silva Jayme, reforçou o discurso. “Os sindicalistas estão sendo intransigentes. Depois do vendaval de segunda para terça-feira, o mínimo que esperávamos era a suspensão da greve”, disse. Pelos cálculos dele, dos 900 servidores, 600 estão de braços cruzados. Ele, entretanto, garantiu que vai haver ressarcimento aos consumidores que ficarem sem energia elétrica Mas não detalhou como isso será feito.

Entre os consumidores que foram prejudicados pela paralisação está o auxiliar administrativo Allyson Saldanha, morador da QNP 32, em Ceilândia. Desde segunda-feira ele vive na escuridão. “Tive que tirar alimentos e remédios da geladeira e levar para a casa do meu cunhado. Estou indo tomar banho todos os dias na casa da minha mãe. Duvido muito que a conta de luz vá diminuir mês que vem”, reclama.

Procurado, o STIU-DF confirmou que a proposta do governo foi rejeitada em assembleia nesta sexta e informou que a paralisação está mantida por tempo indeterminado. O governador Rodrigo Rollemberg (PSB) autorizou o corte de ponto dos grevistas.

 

 

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