O dilema em bares e restaurantes do DF: como abrir e evitar aglomerações?

Governo prepara ações de fiscalização do DF Legal e da Vigilância Sanitária, enquanto empresários buscam adotar protocolos de segurança

atualizado 05/07/2020 15:58

Bares e restaurantes sofrem perdas com a crise causada pela covid-19Hugo Barreto/Metrópoles

A reabertura de bares e restaurantes no Rio de Janeiro foi marcada por imagens de pessoas sem máscaras e grandes aglomerações. Cenas avessas às condições estabelecidas para o regresso seguro da atividade durante a pandemia do novo coronavírus. O episódio acendeu o alerta no Distrito Federal. Empresários e o Executivo local se preparam no sentido de evitar que o mesmo se repita na capital do país.

“Não podemos deixar isso acontecer em Brasília. Sofremos por 120 dias e não podemos dar esse tiro no pé”, pontuou o presidente do Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Brasília (Sindhobar-DF), Jael Antônio da Silva. “E o Rio tem características noturnas muito diferentes do DF”, frisou.

Veja como foi a reabertura dos bares no Rio de Janeiro: 

Confira a repercussão do caso nas redes sociais:

 

Na capital federal, os estabelecimentos poderão reabrir em 15 de julho. Antes mesmo do retorno, já houve confusão em um bar que funcionava ilegalmente durante a pandemia. O deputado estadual pelo Rio de Janeiro Alexandre Knoploch (PSL) atirou no pé de um advogado de 39 anos em Brasília, na madrugada de quinta-feira (2/7), em frente ao local, que está situado na Asa Sul. O lugar burlou o isolamento imposto pelo governo do DF e abriu as portas.

O político alegou legítima defesa e, segundo sua assessoria disse ao Metrópoles, partiu dele a iniciativa de procurar as forças policiais para registrar ocorrência. O advogado passou por cirurgia no Hospital de Base. A Polícia Civil investiga o caso.

Fiscalização será chamada

Para o presidente do Sindhobar, não haverá dificuldades no cumprimento das regras impostas pelo Poder Público para que bares e restaurantes brasilienses voltem a funcionar. Ele lembra que grande parte dos bares cariocas serve os clientes nas ruas, enquanto a maioria das casas do DF atende as pessoas dentro do estabelecimento. Mesmo assim, segundo Jael Antônio da Silva, o sindicato fará campanha de conscientização de bares, restaurantes e público.

“A responsabilidade é dividida por todos. Se ocorrer qualquer infração, nós vamos chamar a fiscalização”, assegurou.

Do ponto de vista do proprietário do Bar Responsa, Gustavo Leal, o DF tem condições perfeitas para evitar aglomerações na reabertura dos estabelecimentos. Para retomar as atividades com segurança, o Responsa está ajustando protocolos para clientes e colaboradores. Filas terão espaçamento marcado por fitas e mesas serão distanciadas. “Vamos seguir as recomendações do GDF e organizações sanitárias“, prometeu.

Vidas em primeiro lugar

Por outro lado, o empresário Rodrigo Barata, um dos sócios da Cervejaria Criolina, ainda avalia se retomará as atividades neste momento. O galpão do estabelecimento comporta 300 pessoas. Reduzido pela metade, receberia 150. Mas o empresário ainda pondera qual seria o protocolo seguro de operação.

“Vi as imagens do Leblon (RJ). É um assunto delicado mesmo. Pensamos em primeiro lugar na saúde dos nossos clientes e funcionários. Não queremos oferecer risco a ninguém. E temos um público bastante consciente. Nossa ideia é ouvi-los, saber o que o brasiliense tem a dizer sobre o assunto”, comentou.

O proprietário dos restaurantes Caminito Parrilla e Nazo Sushibar, Rafael Lago, lamentou as cenas de aglomeração cariocas. “É ruim para todo mundo. É ruim para a população. É ruim para os empresários”, afirmou. Para Lago, os restaurantes terão mais facilidade de evitar casos semelhantes e implantar todos os protocolos de segurança para a reabertura.

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Marcação cerrada

Um dos pontos críticos dessa questão é: o que acontecerá se o público fizer aglomerações em vias e estacionamentos nos arredores de bares e restaurantes brasilienses?

Em parceria com outros órgãos de investigação, o DF Legal vai elaborar programação de monitoramento do setor. A pasta já trabalha na fiscalização e conscientização da população sobre o uso das máscaras, obrigatório no DF. Até 30 de junho, cerca de 68 mil pessoas foram abordadas e 63 multas aplicadas.

Além disso, há cerca de 15 dias, a Vigilância Sanitária do DF elaborou um plano de ação para acompanhar o retorno de várias atividades no DF. Nesse sentido, todos os segmentos econômicos receberam visitas e notas técnicas sobre os procedimentos a serem adotados. A partir da próxima semana, vistorias entrarão em marcha.

As denúncias sobre aglomerações e falta de uso de máscaras podem ser feitas pela Ouvidoria da Saúde, no telefone 160; e na Ouvidoria do GDF, pelo site e também por meio do telefone 162, opção 2.

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