Nasce no Zoológico de Brasília primata ameaçado de extinção

Filhote de bugio-de-mãos-ruivas está sob os cuidados dos pais e deve permanecer no Zoo para programa de conservação

atualizado 18/09/2020 8:02

Jardim Zoológico de Brasília/Divulgação

Um primata ameaçado de extinção é o mais novo morador do Jardim Zoológico de Brasília. Em 31 de agosto, Bel, fêmea da espécie bugio-de-mãos-ruivas (Alouatta belzebul), deu à luz o primeiro filhote. O macho do casal chama-se Lipe. O recém-nascido está com os pais, e a mãe, por estar amamentando, recebeu mais suplementação nas refeições.

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Lipe e Bel chegaram ao Zoo filhotes, em 2016, após perderem o habitat devido aos impactos ambientais gerados pela Usina Hidrelétrica de Belo Monte (PA). A espécie  é ameaçada de extinção, alerta levantado após a constatação de queda de 30% na taxa populacional em natureza nas últimas três gerações.

O diretor de mamíferos do Zoo, Filipe Reis, afirmou que o filhote deve permanecer no Zoológico de Brasília. “A ideia é de que seja feito um trabalho em conjunto com outras instituições para manter a qualidade genética e demográfica dessa espécie, em busca de uma população sob cuidados humanos viável para um programa de conservação”, explicou.

Grupos familiares

Os bugios-de-mãos-ruivas podem ser encontrados na Amazônia e na Mata Atlântica brasileira. Herbívoros, têm como característica marcante o som emitido pelos machos, que pode ser ouvido a uma longa distância. Com peso entre 4,5kg e 8,5kg, eles medem entre 45cm e 65cm. A cauda pode chegar a 70cm. Os machos são maiores do que as fêmeas. A pelagem é preta, com os pés, as mãos, a ponta da cauda e, às vezes, o dorso ruivos.

A reprodução ocorre o ano inteiro, e a gestação dura, aproximadamente, seis meses, dando origem, normalmente, a um filhote. Vivem em grupos familiares de três a 20 indivíduos, e a expectativa de vida em cativeiro é de, aproximadamente, 20 anos.

Sauim-de-coleira

No início de maio, outro primata ameaçado de extinção nasceu no Zoo de Brasília. Nativo do Amazonas, um filhote de sauim-de-coleira (Saguinus bicolor) foi o segundo caso de reprodução em cativeiro da espécie assistida pela instituição.

O animal tem esse nome pela característica marcante da pelagem, que mistura pelos claros e escuros. De acordo com o Zoológico de Brasília, estima-se que existam cerca de 46 mil bichos da espécie vivendo na natureza atualmente. Segundo o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), pelo menos 80% da população de sauins-de-coleira poderia ser reduzida ao longo de três gerações.

Com informações do Zoológico de Brasília e da Agência Brasil.

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