“Não tem castigo que pague”, diz mãe e avó de vítimas de chacina no DF
Apesar da idade avançada, a matriarca da família que foi destruída esteve presente nos seis dias de julgamento
atualizado
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Após a condenação dos autores da chacina que vitimou seu filho e netos, Antônia Lopes de Oliveira, 92 anos, falou ao Metrópoles sobre a condenação dos cinco réus. A idosa é mãe de Marco Antônio Lopes de Oliveira, avó de Gabriela, Thiago e Ana Beatriz e bisavó dos pequenos Gabriel, Rafael e Rafaela, assassinados em 2023.
“Não tem castigo que pague a vida dos meus filhos por maior que seja a condenação, mas quero que eles paguem até o último dia de vida deles”, disse dona Antônia.
Apesar da idade avançada, a matriarca da família que foi destruída esteve presente nos seis dias de julgamento até que a sentença fosse proferida. Com dois bancos improvisados com uma almofada, dona Antônia aguardou até as 20h para a entrada no Tribunal do Júri de Planaltina.
A idosa conta que enterrou outros cinco filhos além de Marcos e somente um deles está vivo. “Uma mulher que sofreu próximo na Terra o que Nossa Senhora sofreu fui eu. Enterrei seis dos meus sete filhos, os netos e os bisnetos”, desabafou a idosa.
Dona Antônia tem uma história de muita luta e teve que começar a trabalhar com seis anos de idade, mas, apesar de tudo, segue com resiliência. “O quanto eu tenho sofrido só Deus sabe, não tenho mais nenhum cílio de tanto chorar, mas trabalho para continuar com a minha vida. Quero me sentir viva enquanto eu estiver viva”, concluiu Antônia.
Condenados
Os autores da chacina Gideon Batista de Menezes, Horácio Carlos Ferreira Barbosa, Carlomam dos Santos Nogueira, Fabrício Silva Canhedo e Carlos Henrique Alves da Silva foram condenados após seis dias de julgamento e cumprirão pena no Complexo Penitenciário da Papuda.
Eles foram sentenciados pelos crimes de homicídio qualificado, latrocínio, ocultação de cadáver, extorsão mediante sequestro, associação criminosa qualificada e corrupção de menor.
O sexto dia de julgamento começou com a votação dos jurados, por volta das 10h, em sessão fechada. Cerca de 500 quesitos foram votados ao longo do dia, com pausa de uma hora e meia para o almoço às 12h.
A sentença foi lida neste sábado (18/4), decretando as penas dos réus e, enfim, encerrando o júri.
Entenda o caso
Entre outubro de 2022 e janeiro de 2023, os acusados se associaram para tomar a chácara Quilombo, no Itapoã, e também obter dinheiro da família de Marcos Antônio Lopes de Oliveira.
Avaliado em R$ 2 milhões, o terreno que motivou os assassinos a arquitetarem a morte de 10 pessoas tem cachoeira privativa, ampla área de capim de gado e cerca de 5 hectares – equivalentes a 50 mil metros quadrados.
O plano, então, era assassinar toda a família e tomar posse do imóvel, sem deixar qualquer herdeiro vivo. O terreno, no entanto, nem sequer pertencia ao patriarca da família, o primeiro a ser brutalmente morto. A chácara era alvo de disputa judicial desde 2020, na qual os verdadeiros donos tentam recuperar a área.
Os integrantes da família, então, foram atraídos para emboscadas e assassinados um por um.
São eles:
- Marcos Antônio Lopes de Oliveira – patriarca;
- Renata Juliene Belchior – esposa de Marcos;
- Gabriela Belchior de Oliveira – filha do casal;
- Thiago Gabriel Belchior de Oliveira – filho do casal;
- Elizamar da Silva – esposa de Thiago;
- Rafael (6 anos), Rafaela (6) e Gabriel (7) – filhos de Thiago e Elizamar;
- Cláudia da Rocha Marques – ex-companheira de Marcos;
- Ana Beatriz Marques de Oliveira – filha de Marcos e Cláudia.












