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Distrito Federal

"Não consigo morar onde tenha energia", diz idosa que teve fêmur partido por fio de alta-tensão

Tragédia ocorrida em 2020 matou um dos filhos de Ana Maria de Oliveira, 90 anos, e deixou a mulher com ossos fraturados

23/06/2023 02:30, atualizado 23/06/2023 12:25
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Breno Esaki/Metrópoles
“Não consigo morar onde tenha energia”, diz idosa que teve fêmur partido por fio de alta-tensão

Traumatizada, ferida e sem esperança. Três anos depois de ver o próprio filho morrer e ter o fêmur partido em dois, a tragédia que modificou permanentemente a vida de Ana Maria de Oliveira, 90 anos, ainda é lembrança constante na vida da idosa.

Fio elétrico de empresa mata homem, parte fêmur de idosa, e magistrado diz que indenização de R$ 50 mil “é muito”

Além das marcas deixadas no corpo, a idosa carrega na alma as sequelas deixadas pelo ocorrido. “Hoje, depois de tudo o que aconteceu, eu não quero mais morar em casa que tenha energia. Eu era ativa, trabalhava. Agora não consigo sequer andar”, disse a idosa.

“Eu não gosto nem de lembrar o que sofri. Ver o meu filho lá morto e eu sem poder fazer nada. Queria ter morrido no lugar dele para hoje não estar aqui contando o que eu passei naquele dia”, declarou Ana Maria, entre um soluço e outro.
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Além das marcas deixadas em seu corpo, a senhora carrega na alma as sequelas deixadas pelo ocorrido
Em 23 de setembro de 2020, a idosa e dois filhos dela foram atingidos por uma intensa voltagem elétrica após um cabo de alta-tensão da empresa Equatorial Goiás Distribuidora de Energia cair sobre a casa das vítimas e energizar por completo o imóvel
Após receber o choque, o filho de Ana, de 58 anos, não resistiu aos ferimentos e morreu no local. A idosa, por sua vez, teve o fêmur partido em dois e sofreu contusão no quadril.
Recentemente, Ana passou por mais uma agressão. Ao entrar na Justiça com pedido de indenização, a idosa ouviu de um desembargador que R$ 50 mil, montante sugerido por um juiz para reparar a tragédia vivida por ela, seria muito dinheiro para uma "moradora de área rural"
Traumatizada, ferida e sem esperança. Três anos depois de ver o próprio filho morrer e ter o fêmur partido em dois, a tragédia que modificou permanentemente a vida de Ana Maria de Oliveira, 90 anos, ainda é lembrança constante na vida da idosa
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Traumatizada, ferida e sem esperança. Três anos depois de ver o próprio filho morrer e ter o fêmur partido em dois, a tragédia que modificou permanentemente a vida de Ana Maria de Oliveira, 90 anos, ainda é lembrança constante na vida da idosa

Breno Esaki/Metrópoles
Além das marcas deixadas em seu corpo, a senhora carrega na alma as sequelas deixadas pelo ocorrido
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Além das marcas deixadas em seu corpo, a senhora carrega na alma as sequelas deixadas pelo ocorrido

Breno Esaki/Metrópoles
Em 23 de setembro de 2020, a idosa e dois filhos dela foram atingidos por uma intensa voltagem elétrica após um cabo de alta-tensão da empresa Equatorial Goiás Distribuidora de Energia cair sobre a casa das vítimas e energizar por completo o imóvel
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Em 23 de setembro de 2020, a idosa e dois filhos dela foram atingidos por uma intensa voltagem elétrica após um cabo de alta-tensão da empresa Equatorial Goiás Distribuidora de Energia cair sobre a casa das vítimas e energizar por completo o imóvel

Breno Esaki/Metrópoles
Após receber o choque, o filho de Ana, de 58 anos, não resistiu aos ferimentos e morreu no local. A idosa, por sua vez, teve o fêmur partido em dois e sofreu contusão no quadril.
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Após receber o choque, o filho de Ana, de 58 anos, não resistiu aos ferimentos e morreu no local. A idosa, por sua vez, teve o fêmur partido em dois e sofreu contusão no quadril.

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Recentemente, Ana passou por mais uma agressão. Ao entrar na Justiça com pedido de indenização, a idosa ouviu de um desembargador que R$ 50 mil, montante sugerido por um juiz para reparar a tragédia vivida por ela, seria muito dinheiro para uma "moradora de área rural"
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Recentemente, Ana passou por mais uma agressão. Ao entrar na Justiça com pedido de indenização, a idosa ouviu de um desembargador que R$ 50 mil, montante sugerido por um juiz para reparar a tragédia vivida por ela, seria muito dinheiro para uma "moradora de área rural"

Breno Esaki/Metrópoles

Em 23 de setembro de 2020, a idosa e dois filhos dela foram atingidos por uma intensa voltagem elétrica após um cabo de alta-tensão da empresa Equatorial Goiás Distribuidora de Energia cair sobre a casa das vítimas e energizar por completo o imóvel. À época, os familiares residiam na cidade de Padre Bernardo (GO).

Após receber o choque, o filho de Ana, que tinha 58 anos à época, não resistiu aos ferimentos e morreu no local. A idosa, por sua vez, teve o fêmur partido em dois e sofreu contusão no quadril.

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Recentemente, Ana passou por mais uma agressão. Ao entrar na Justiça com pedido de indenização, a idosa ouviu de um desembargador que R$ 50 mil, montante sugerido por um juiz para reparar a tragédia vivida por ela, seria muito dinheiro para uma “moradora de área rural”.

“Para uma pessoa dessa, do núcleo rural, receber R$ 50 mil teria que trabalhar a vida inteira para, quem sabe, juntar [o dinheiro]. Aqui vai receber reunido. Então, quero dizer, seria muito significativo R$ 50 mil. Mais que isso não tenho condições”, declarou o desembargador Mário-Zam Belmiro.

Ao Metrópoles Ana disse que a fala proferida pelo magistrado fez com que ela se sentisse diminuída: “Como se pelo fato de eu ser pobre minha vida não valesse algo”.

“Eu tinha a minha casa própria. Hoje moro de aluguel. Não consigo trabalhar e não tenho mais condições para comprar alimento, remédios, pagar contas e inúmeros tratamentos que preciso fazer em decorrência do que aconteceu. Eu não vivo mais. O que eu tenho desde 2020 não pode ser chamado de vida”, lamenta a idosa.

Frágil, Ana Maria tem vivido em uma casa humilde, em Águas Lindas de Goiás, Entorno do DF. De vez em quando, recebe visita das filhas, que levam frutas e alimentos para que ela se mantenha.

Amedrontada, Ana mantem-se longe de qualquer coisa que tenha eletricidade. Na residência, inclusive, não há televisões, geladeira ou fogão elétrico. Até para se banhar a idosa diz que esquenta a água no fogão à lenha. “Tenho muito medo de o chuveiro me eletrocutar. Não consigo mais nem me aproximar”, finalizou a idosa.

O caso

Moravam juntos, na mesma residência, em Padre Bernard (GO), Ana e os filhos: um homem de 58 e uma mulher cadeirante, de 71.

Após a queda do fio de alta-tensão, o imóvel ficou energizado, matando na hora o filho da idosa. Por 12h, Ana e a filha dela não conseguiram se mexer, permaneceram ao lado do cadáver do homem até a chegada dos bombeiros.

As sobreviventes foram encaminhadas ao Hospital Regional de Ceilândia (HRC), onde receberam os primeiros socorros. Lá, a idosa matriarca foi informada de que teria de ser submetida a um procedimento cirúrgico, mas que não havia vaga no local.

“A defesa continuará lutando para que as vítimas recebam a justiça devida e para garantir que, no fim, a humanidade delas seja considerada e não a classe social ou onde elas vivem”, finalizou o advogado, que afirmou, ainda, que recorrerá ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) da decisão da 4ª Turma Cível do TJDFT.

Metrópoles procurou o Tribunal de Justiça do Distrito Federal, que, em nota, declarou que a Corte “não irá se pronunciar”. ” Os magistrados são vedados por lei de comentarem suas decisões. Qualquer questionamento quanto à decisão judicial deve ser feito no âmbito do processo, conforme rito legal”, pontuou o órgão.

À reportagem a Equatorial Goiás Distribuidora de Energia S/A disse que “não foi notificada da decisão judicial e, assim que for, tomará as medidas cabíveis”.