Na Mira

“Xerecada da alegria”: clínica tem desfile para escolha de “terapeutas”

Estabelecimento se vende como “clínica de massoterapia” em quadra da Asa Norte, mas é usado para fins sexuais por um valor adicional

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

Getty Images
Homem que assediou terapeuta durante massagem terá que pagar R$ 20 mil. - Metrópoles
1 de 1 Homem que assediou terapeuta durante massagem terá que pagar R$ 20 mil. - Metrópoles - Foto: Getty Images

Sob a identificação de uma “clínica de massoterapia”, um estabelecimento, localizado no subsolo de uma quadra comercial na Asa Norte, oferece um engenhoso esquema de serviço sexuais, com o primeiro passo sendo a escolha de “terapeuta” aos clientes através de um desfile.

Com valor fixado em R$ 170 pela suposta “terapia” e um adicional de R$ 80 por um “aditivo especial”, explicitamente nomeada “xerecada da alegria”, o serviço começa com a escolha da “terapeuta” em uma saleta onde o cliente é encaminhado e apresentado ao “elenco”.

As jovens então desfilam individualmente, cada uma com seu nome de guerra e estilo.

A primeira, de cabelos longos e pretos, aparenta pouco mais de 20 anos, e ostenta um sorriso matreiro emoldurado por um aparelho fixo nos dentes. Seu traje, um short e um top, cumpre a função de sedução sem respeitar, de forma muito clara, o código de vestimenta de uma “massagista”.

Logo depois, a segunda chega serelepe. Ela entra e paralisa o ambiente. Voluptuosa, a moça veste apenas uma camisola vermelha de renda, completamente transparente, deixando pouco à imaginação e revelando, sem meias-palavras, a real natureza da “sessão”.

A terceira, de visual mais recatado, vestindo short e miniblusa, era a mais velha do trio disponível naquela tarde de início de semana, logo após o horário de almoço. Naquele dia, apenas as três moças estavam à disposição para oferecer os “serviços de relaxamento”.

Depois da apresentação, a gerente da casa retorna para perguntar qual terapeuta é a grande escolhida.  Após uma desculpa sobre “agenda apertada”, a reportagem deixou o local sem passar pela sessão terapêutica.

Desvio do termo “terapeuta”

A utilização do termo “terapeuta” por estabelecimentos com fins sexuais não é apenas um eufemismo, mas uma apropriação indevida que descredibiliza profissionais sérios.

A massoterapia e outras terapias exigem formação, ética e conhecimento técnico para auxiliar a saúde física ou psicológica das pessoas.

O uso do título em um contexto puramente libidinoso desrespeita a seriedade e os requisitos de qualificação fundamentais para a segurança e o bem-estar dos pacientes que buscam tratamento legítimo.

A apuração da coluna aponta para um claro caso de violação ética e desvirtuamento de função, em que o “toque terapêutico” é apenas a senha para um prazer proibido e mercenário no coração de Brasília.

Especialistas ouvidos pela reportagem alertam que o uso do termo “terapeuta” nesses casos tem o objetivo de driblar fiscalização e conferir legitimidade profissional ao atendimento.

“A massoterapia é uma prática que exige formação, ética e conhecimento técnico para garantir bem-estar e saúde do paciente. Quando o termo é apropriado para encobrir outras atividades, há não só fraude, mas risco para a saúde física e psicológica das pessoas envolvidas”, explica uma profissional registrada, que preferiu não se identificar.

“Clínica de massoterapia”

O local anuncia como refúgio de bem-estar com serviços de massoterapia e acolhimento, destacando “ambiente reservado”, “toalhas higienizadas” e “atendimento profissional”.

No fim das contas, o discurso terapêutico serve como fachada para ofertar “rapidinhas” na hora do almoço ou no fim do expediente, sempre de olho na clientela da Esplanada dos Ministérios. A casa de massagem investe pesado no véu da decência.

Pelo WhatsApp, o estabelecimento garante entrada recatada e salas privativas. A logística de acesso, minuciosamente detalhada, é o primeiro sinal da natureza sigilosa do negócio.

Em horário comercial, o cliente deve usar a escada lateral do prédio. Após as 18h, e aos sábados e feriados, o acesso é estritamente pela portaria dos fundos, mediante uso de interfone, isolando o fluxo do público regular da quadra.

Tudo é pensado para que a chegada do cliente, quase sempre preocupado com a exposição, não levante suspeitas no burburinho da Asa Norte.

A fachada “terapêutica” desmorona no instante em que o cliente atravessa a porta de vidro fumê e pisa no pequeno, mas eficaz, paraíso libertino.

No ambiente de espera — apertado com um divã de couro preto, uma cadeira e o indispensável ar-condicionado — é onde a cortina de fumaça se dissipa.

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comDistrito Federal

Você quer ficar por dentro das notícias do Distrito Federal e receber notificações em tempo real?