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Sequestradores são condenados por rapto de empresário no DF
Vítima foi rendida ao chegar em casa, levada para cativeiro, obrigada a fazer ligações por dinheiro
atualizado
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Três anos após o sequestro de Thales Nobre da Costa, o Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJDF) condenou três homens pelo crime de extorsão mediante sequestro. A vítima foi mantida em um cativeiro no Novo Gama (GO), mas foi localizada com vida. As penas chegam a 20 anos de prisão, todas em regime fechado.
Os réus são Marcelo da Silva Pereira, Rafael Balbino Ribeiro e Aderbal Lucas Ribeiro Lima. A sentença foi proferida pela 2ª Vara Criminal do Gama, assinada pelo juiz Romero Brasil de Andrade, que também negou aos condenados o direito de recorrer em liberdade.
O sequestro foi apurado no mesmo contexto investigativo do amigo e empreiteiro Daniel Carvalho da Silva, que foi encontrado morto em uma área de mata, em razão das semelhanças na dinâmica dos crimes e pela relação de proximidade das duas vítimas, embora tenham apresentado desfechos diferentes.
Como foi o sequestro de Thales
O caso aconteceu na noite de 16 de novembro de 2024, quando a vítima chegava à própria casa, no Núcleo Rural Ponte Alta Norte, no Gama (DF). Ele foi fechado por dois veículos, rendido por homens armados e levado para um cativeiro no Novo Gama (GO).
No local, os sequestradores tentaram acessar as contas bancárias da vítima e passaram a exigir dinheiro como condição para libertá-la. Thales foi obrigado a ligar para amigos pedindo ajuda financeira, enquanto o grupo negociava o pagamento do resgate.
As exigências começaram em R$ 300 mil e chegaram a R$ 400 mil, mas nenhuma quantia foi paga. Na manhã seguinte, Thales conseguiu fugir do cativeiro e pedir ajuda, o que permitiu o avanço das investigações.
As investigações apontaram que os criminosos utilizaram carros alugados, posteriormente identificados por meio de locadoras. Imagens de câmeras de segurança, perícias papiloscópicas, depoimentos e a confissão inicial de um dos réus embasaram a condenação.
Na sentença, o juiz destacou a gravidade do crime, o uso de armas de fogo e a atuação organizada do grupo. Os três condenados seguem presos e não poderão recorrer em liberdade.
Caso Daniel
- O sequestro de Thales Nobre da Costa foi investigado no mesmo contexto do desaparecimento do seu amigo empreiteiro Daniel Carvalho da Silva, ocorrido em outubro de 2022, em Taguatinga (DF).
- Em ambos os casos, as vítimas foram abordadas por um grupo criminoso, rendidas e mantidas sob controle enquanto os autores buscavam vantagem financeira.
- Após o desaparecimento, Daniel ainda manteve contato com familiares, principalmente por mensagens de WhatsApp, o que levantou suspeitas sobre coação.
- As mensagens atribuídas a Daniel pediam R$ 190 mil, sob a justificativa de dívidas, dinâmica semelhante à extorsão sofrida por Thales, que foi obrigado a ligar para amigos pedindo dinheiro.
- A família de Daniel relatou mudança no padrão de escrita e a recusa em realizar chamadas de vídeo, indícios de que ele já estava sob domínio dos criminosos.
- Diferentemente de Thales, que foi localizado com vida após ser mantido em cativeiro, Daniel não foi localizado com vida.
- As investigações concluíram que Daniel foi morto e que o corpo teria sido enterrado em uma área de mata em Goiás.
- Os dois casos reforçaram a atuação organizada e reiterada do grupo, com uso de intimidação e controle das vítimas para obtenção de dinheiro.
