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Saiba quem é o homem com nanismo que quer ser delegado e luta por TAF. Veja vídeo
Após decisão de ministro do STF sobre a reavaliação do TAF, Matheus Matos comemorou: “Vai ter eu de volta para o concurso, sim”
atualizado
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O goiano Matheus Matos, de 25 anos, chamou a atenção nas últimas semanas ao expor nas redes sociais sua batalha para conquistar um sonho antigo: se tornar delegado da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG).
Após anos de intensos estudos, o bacharel em direito de apenas 1,23 metro foi aprovado nas três fases teóricas do concurso elaborado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). A etapa de perícia, que avaliou sua capacidade de exercer o cargo, também atestou sua aptidão
Ao chegar ao Teste de Aptidão Física (TAF), porém, foi reprovado por não atingir a distância mínima no salto horizontal.
Vídeo do salto horizontal que ele foi reprovado:
Mais detalhes:
- O candidato chamou a atenção da sociedade e da Justiça após reivindicar que o TAF fosse adaptado para pessoas com deficiência.
- Matheus foi eliminado na prova de salto horizontal — onde o mínimo exigido era 1,65 m — e ,depois, recorreu à Justiça.
- O caso chegou ao gabinete do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Ele determinou que a adaptação seja reavaliada.
- Após da decisão, Matheus comemorou: “Vai ter TAF adaptado, sim, a mando do STF. Vai ter eu de volta para o concurso, sim”.
- Ele ainda reforçou na publicação nas redes sociais: “Até aqui, Deus tem me abençoado e continuará me dando forças para seguir em frente”.
Veja:
Decisão do STF
De acordo com o ministro Alexandre de Moraes, se for reconhecida a necessidade de adaptação, o candidato deverá realizar um novo exame, respeitando as demais regras previstas no edital.
O entendimento segue precedente da ADI nº 6.476, que trata da obrigatoriedade de adaptações razoáveis para pessoas com deficiência em concursos públicos.
Alexandre de Moraes destacou que “não é razoável exigir determinados testes físicos quando eles não são essenciais ao exercício da função”. Ele lembrou que o próprio edital prevê vagas para pessoas com deficiência em cargos como perito em áreas técnicas, nos quais testes como barra fixa ou abdominais não impactam o desempenho profissional.
“Um sonho, o maior da minha vida”
Em relato nas redes sociais, Matheus fala sobre sua trajetória. “Ser delegado sempre foi meu sonho e eu acredito que, se Deus coloca um sonho em nossa mente, é porque Ele sabe que é possível”.
“Eu tenho nanismo, então até hoje quando eu conto para as pessoas que algum dia eu serei delegado de polícia, elas começam a rir da minha cara e a debochar. Muitos falam que ‘eu não tenho tamanho e nem competência para isso’. Só que eu sou uma pessoa de muita fé e de superar desafios”, acrescentou.
Imagens:
“Eu estudo para mim”
Matheus relembra o momento mais difícil da sua jornada: “Aprovado na primeira fase, fui aprovado na discursiva e na prova oral. Porém, logo depois da prova oral, veio a maior injustiça e preconceito que já sofri na vida: a fase do TAF”.
Ele contou que sua condição física o impedia de realizar alguns testes nos parâmetros exigidos pela banca. “Solicitei a adaptação, mas a FGV permaneceu omissa. Fui obrigado a fazer o TAF sem adaptações e, injustamente, fui eliminado no salto horizontal.”
Mesmo diante das críticas, Matheus segue firme. “Eu estudo para mim, para o meu futuro, mas quando consigo resultados diante de tanta negatividade, o sabor da vitória é ainda maior. Não sou uma pessoa além da curva, mas a disciplina é uma das minhas melhores qualidades e vai me levar ao meu sonho.”
PCMG e FGV
Em nota, a PCMG diz que , “até o momento, não foi formalmente intimada da referida decisão judicial”.
A corporação contou que só se manifestará nos autos do processo.
A FGV informou que, “até o momento, não foi formalmente intimada da decisão judicial mencionada”.
“Tão logo seja intimada, adotará as medidas cabíveis nos autos do processo”, acrescentou.



























